quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Melhor filme 2008

Se há um cinema materialista sendo feito hoje em dia, é em Cassandra's Dream que será encontrado.

Allen é, cada vez mais, o exato oposto de um demiurgo, a que por sinal foi estupidamente acusado por alguns filisteus incansáveis, eternos escravos do gostismo ordinário e tiranos dos bons modos peliculares. Repousando um olhar impassível, e que portanto nem mesmo lhe pertence mais, sobre o mundo, alguns homens e o irremediável (de fato irremediável - apesar de se entupir de remédios, tentativa fracassada que tragicamente o condenará à danação, o personagem de Farrell é incapaz de adoecer e conseqüentemente enfraquecer sua natureza, ao mesmo tempo glória e virtude, e por isso mesmo seu fracasso), Allen contém essa força tranqüila que conduz o filme a este olhar total, implacavelmente contemplativo (e neste sentido, porém não apenas nele, Cassandra's Dream estaria mais para Ozu que para Lang), um olhar - este sim - que vem "como do fundo da morte".

Ao mesmo tempo, é o verdadeiro filme experimental, aquele em que a audácia, a liberdade e a surpresa da descoberta - de si mesmo em primeiro lugar, do mundo se possível - vibram a cada fotograma, não como um catálogo de soluções, mas como a realidade de um método.

É toda a força vital de uma mise en scène digna desse nome, é o que de mais moderno está sendo feito hoje em dia. Ponto final.

(Colin Farrell? Pela primeira vez ele decide nos mostrar o que é um homem, e portanto está nada menos que fabuloso. Zsigmond? Nada a ser visto dele no filme, nem mesmo um mísero fotograma, uma vez que estas imagens pertencem e nos remetem incondicionalmente a uma experiência do real, isto é, ao mundo).

24 comentários:

bruno andrade disse...

Sim Sergio, é mesmo melhor que MATCH POINT. Agora não encha o saco e volte ao trabalho.

Fernandes R disse...

Sério que um filme do Allen é assim bom?
Não confio em você.

Já tem pra baixar? Aqui não passou e nao vai passar.

Evandro Duarte disse...

Ainda não vi. Devo fazê-lo em breve.
Só não entendo que Allen possa ser mais materialista do que em Interiores.

Luis disse...

Deixei escapar esse, convencido de que seria mais tipo Scoop. Agora tenho uma curiosidade bestial.

Recebeste o Mojica?

Sérgio Alpendre disse...

eu te disse... e tenho que encher o saco porque vc demorou pra ver

José Oliveira disse...

http://www.chronicart.com/cinema/chronique.php?id=11071

Felipe Plam plam disse...

E os israelitas louvavam ao Senhor!!!

bruno andrade disse...

Recebido Luis. Muitíssimo obrigado.

Rafael disse...

o comentário sobre o Collin Farrell me parece muito apropriado, porque tirando Cassandra's Dream e Miami Vice não lembro de ter gostado muito das atuações dele.

Sérgio Alpendre disse...

o texto sobre o Tropa de Elite é o melhor que eu já li entre os que metem o pau no filme. sempre me pareceu ser um filme que se compra ou se renega com fúria, como o Tessé fez. Eu compro, por sinal. Chronicar't, aliás, tá dando um banho na Cahiers du Cinema já tem uns dois anos, no mínimo.

José Oliveira disse...

sem dúvida Sérgio, um banho. A maneira como trataram o filme do Guerin...bom...

simon le bon disse...

hey guy, great blog!

andy taylor disse...

yeah simon, it's great!

john taylor disse...

dum dum dum dum

nick rhodes disse...

vem fazer glu glu

Anônimo disse...

duran duran comanda muito

Beto disse...

Belíssimo texto.

Sérgio Alpendre disse...

pombas, meus heróis estão vindo aqui...

Luciano Albuquerque disse...

Prolixo pouco é bobagem.

Antonio disse...

Woody Allen materialista, no me hagas reir.

Prolixo pouco é bobagem disse...

A-la-na

Is this what you want? This what you want?

bruno andrade disse...

Antonio, posso deixar que Allen faça isso por mim? Ele entende bem mais do ofício, afinal.

Anônimo disse...

Hermosa osadía, sorprendente defensa

Pláceme, Navarro

Anônimo disse...

noffa

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