segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Il faut sans arrêt "faire le ménage" : les histoires du cinéma sont pleines de films qui en font partie soit parce qu’ils ont bien marché – et le succès leur tient lieu de brevet de qualité –, soit parce qu’ils ont été admis pour des raisons de confort moral et esthétique et d’identification des critiques de l’époque. Je me suis senti l’envie, presque "donquichottesque", de me refaire ma propre histoire du cinéma.

Jean-Claude Biette entrevistado por Jean Narboni e Serge Toubiana, em Poétique des auteurs, Coleção Cahiers du Cinéma, éd. de l’Etoile, Paris, 1988

4 comentários:

André Dias disse...

Talvez haja muita tralha a deitar fora, como diz Biette. Mas, mais importante ainda, haverá muito luxo, que passou por lixo, a desenterrar no futuro. Isto dito não por possuir um conhecimento arqueológico aturado do passado cinematográfico, mas pela simples observação da promoção da tralha contemporânea que enterra os bons filmes no rápido esquecimento. Porque haveremos de imaginar que algum dia foi diferente?

bruno andrade disse...

Precisamente. Acho que foi Bressane que disse na época do lançamento de Filme de Amor, algo como "Os bons filmes sempre foram exceção, sempre foi desta forma". Vejo duas tendências, superficialmente opostas, porém igualmente repreensíveis: uma que precisa celebrar esses eventos midiáticos tão freqüentes que se travestem de cinema (os filmes importantes, que "precisam ser discutidos": I'm Not There), outra que sempre acredita ser capaz de enxergar no momento presente um período de inanição artística em andamento (e que procura se ater aos mesmos dogmas de sempre: os cinéfilos que se sentem mal quando lêem Straub a falar dos filmes, por exemplo).

O pior, no caso mais extremo, é o caso de uma tendência opôr-se à outra - algo que, infelizmente, verifica-se mais e mais.

bruno andrade disse...

No mais, à época do Les Fantômes du permanent, já era exatamente esse o trabalho que Biette fazia no Cahiers: "muito luxo, que passou por lixo, a desenterrar no futuro". Um trabalho que vai começar lá com a Présence du Cinéma nos anos 60 e que prossegue com os próprios textos de Biette para a Trafic, com a Lettre du Cinéma, com a revista de Eisenchitz, e sobretudo com Louis Skorecki no Libération.

André Dias disse...

Interessante a genealogia da crítica que estabeleceste no comentário anterior. Perguntava-me onde irias buscar inspiração para o exercício de um estilo mais do que assertivo.

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