domingo, 11 de janeiro de 2009

Digamos apenas que o quê de imediato separa Oliveira de Honoré, é que o primeiro toma a literatura por uma matéria que despe os signos de quaisquer ornamentos (os personagens de Leonor Silveira e Stanislas Merhar, por exemplo, ou a penúltima cena - sublime - em que da janela do seu quarto vemos Leonor Silveira atravessando os corredores do convento, em A Carta) enquanto o segundo se serve da literatura para restituir aos signos tudo o que estes trazem de recognição, de cultura, de tradição; "um passado de civilização, habituado a fardar, a vestir, a negar a nudez".

Simplesmente não dá pé comparar Honoré à grande tradição de cineastas novelísticos (Wes Anderson e James Gray hoje; Michael Mann, Leos Carax com Pola X e Michael Cimino antes; Mankiewicz, Visconti e Astruc antes ainda) nem àqueles que fazem da literatura a própria matéria de seus filmes (Straub & Huillet, Oliveira, Rivette em Não Toque no Machado, A Religiosa e outros, Bresson).

2 comentários:

bruno andrade disse...

"É aliás disso que eu gosto em geral no cinema: uma saturação de signos magníficos que se banham na luz de sua ausência de explicação"

bruno andrade disse...

Juntar a Michael Mann, Carax e Cimino o nome de John Milius.

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