quarta-feira, 24 de junho de 2009

Absolutamente sublime



"De um lado western psicanalítico, poema e afresco cósmico de outro, o território e a ambição do filme são imensos, quase ilimitados. A trajetória da sina de um personagem atormentado pelo peso de seu passado (tema walshiano por excelência) permite a Walsh estabelecer e explorar um universo que começa nas profundezas do coração de um homem e vai se perder em algum lugar no infinito."

Jacques Lourcelles sobre Sua Única Saída

"A arte de Walsh é clássica naquilo que ela manifesta e impõe, para além de toda crispação, a virtude de uma impassibilidade soberana invisivelmente atrelada aos reflexos da elegância, da raça, da nobreza física e moral. A lucidez viril de seu propósito não é do domínio dos conformismos demagógicos, mas, diferentemente, de uma continuidade profunda da aristocracia do coração."

Michel Mourlet



"A altitude da qual eu falava, o tom propriamente langiano que procede de um olhar de águia sob o qual tudo se equaliza, manifesta-se de um senso do cósmico que sustenta inteiramente os últimos filmes e rebenta bruscamente nos últimos planos de O Tigre de Bengala, onde se encarna até o símbolo pelo gesto alucinado do fugitivo descarregando sua pistola contra o sol. As instâncias psicológicas e morais são reabsorvidas, ultrapassadas, a narração ocupa imediatamente o terreno das relações do homem com o mundo, esse mundo que não lhe pertence. Eis aqui o trágico em estado puro; não uma crítica derrisória dos homens, mas uma descrição da fatalidade."

"O que há de mais profundo nos filmes de Lang, é uma certa maneira de olhar de muito distante, como que do fundo da morte, os homens, as mulheres, o assassinato e a fatalidade. Nestes quatro ou cinco últimos filmes, só distinguimos isso. Se não se capta este tom de eternidade, não se capta nada. O silêncio e o vazio."

Michel Mourlet

Nenhum comentário:

Arquivo do blog