quinta-feira, 25 de junho de 2009

Acabo de ver trechos - até porque é a única forma tolerável de penar por um filme desses - de Mulher Sem Cabeça.

Como as pessoas ainda se deixam enganar por algo tão fajuto como esse mausoléu de clichês prontos para o consumo de platéias desavisadas de festivais (por exemplo, a redação completa da atual gestão do Cahiers)?

Uma coisa é certa: um único peido dado pelo Brisseau no set de Coisas Secretas tem mais espessura, materialidade e presença concreta do mundo que essa sucessão de imagens vaporosas e formas inertes ("agora vou filmar a personagem através do vidro da janela do carro"; "agora vou filmar um close da sua cabeça com uma teleobjetiva"; "agora o menino dá uma pirueta sem nenhuma razão que qualquer espectador minimamente instruído teria previsto com três minutos de antecedência"; "agora vou despejar meu conhecimento de Antonioni no geral e Zabriskie Point em particular"; agora vá se foder, sra. Martel, fodam-se você e o seu cinema mumificado, natimorto, parado no tempo sem jamais ter avançado).

Reconheço ali um certo rigor, tão proclamado pelos fãs desta madame internacional: o de um filme rigorosamente obsceno no seu desconhecimento do mundo e o de uma cineasta rigorosamente empenhada no acomodamento, na preguiça e na última gramática do novo academicismo internacional.

Uma monstruosidade, a última façanha de um cinema miserável, perigosa e potencialmente regressivo.

Agora vocês me desculpem pois pretendo me perder lá para os lados de Brisseau, Freda, JCM e John Flynn para me limpar dessa nojeira.

Um comentário:

Leandro Caraça disse...

Bem fraquinho mesmo.

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