terça-feira, 28 de julho de 2009

Aqui.

E já aproveito para recomendar a leitura freqüente desse blog, que é excelente.

4 comentários:

bruno andrade disse...

O Renato Doho já foi em frente e também fez essa relação Mann/De Palma, que eu devo dizer que da minha parte não ocorreu em momento algum da projeção (O Siciliano, como eu disse, é o que mais pulava aos meus olhos). Mas ei, é para isso que servem as revisões.

Anônimo disse...

não li o que o Doho escreveu, mas vejo uma pontinha de "Carlito's Way" no personagem do Dillinger (mas é pensamento pós-projeção, na hora não rolou nada, nem com "Os Intocáveis").

e muito bom mesmo esse blog q vc linkou. Inteligente, provocador, desconfiado (a falta de desconfiança é um dos maiores males da crítica atualmente). Gosto das ressalvas q ele faz ao "Inimigos Públicos". Tb já engrossei esse coro do "Mann inventor de formas", à época, sobretudo, de Ali e Colateral. Mas hj tendo a ver de modo um tanto diferente. Essa coisa de todo mundo se precipitar em dizer q o cara inventa formas e procedimentos tem bastante a ver com aquilo que o Patrick Mauriès falou há 25 anos, em entrevista aos Cahiers na edição sobre Maneirismo: a concepção moderna da arte viciou a crítica a exaltar a invenção de formas como coeficiente do valor estético de uma obra/artista, colocando em posição inferior aqueles que trabalham dentro de um sistema formal constituído ou então aqueles que anamorfizam ou distorcem formas que não inventaram, simplesmente herdaram. Essa história é velha, e no cinema passam por ela os desprezos sistemáticos a vários cineastas que não foram "estilistas" (Allan Dwan, Henry King, o próprio Flynn mais recentemente...). Enfim, repito o já sabido.

Só uma outra coisa: e se "Inimigos Públicos" não for um filme tão "réussi" quanto parece e trabalhar tb um certo inalcançado da matéria? Algo a pensar (ou descartar) na revisão...

jr.

bruno andrade disse...

Fala Jr.,

sobre o filme ser menos "réussi", nisso estamos 100% concordados até a revisão (os filmes do Mann tem essa mágica na revisão, mas disso já sabemos: eles se revelam de vez pelo que são, não restam lacunas a serem exploradas subseqüentemente como em De Palma ou constelações a serem descobertas como em Cimino), e vejo alguns riscos na operação crítica que esse fato pode engendrar: de um lado querer jogar pra debaixo do tapete coisas como, por exemplo, a cena de sexo entre Depp e Cotillard, que permanece no nível de tentativa sem se colar propriamente ao ato como em Miami Vice, como no início de Heat nas cenas entre Pacino e Venora (e aí, veja só, de imediato a primeira suposição é justamente a de que ainda faltou impingir mais a matéria que se tinha em mãos), além de outras deficiências do filme. Esse é o primeiro risco. O segundo é o de, após o triunfo de Miami Vice - artístico tanto quanto crítico -, querer transformar Mann num intocável que faz filmes sem oscilações, sem imprecisões - quando um olhar minimamente atento ao que compõe a matéria de sua arte não permite enganos: são essas oscilações, esses desvios nas superfícies das coisas que conferem justamente às coisas os seus contornos, suas individualidades - suas qualidades, não separadas dos solavancos que a produzem. Resvalar no deslumbramento paquidérmico com um caso sério como o do Mann, não dá pé... O terceiro risco tem a ver com coisas que já estou lendo, "ah, o Christian Bale tem pouco tempo em cena": hein? Alôu? O fato é que é pra ter. Seu personagem é um enigma, inacessível, existe apenas na medida em que faz no momento em que o faz - a encarnação última, rumo à abstração mesmo, eu diria, do profissional caro ao cinema do Mann. Porém cuidado: não é porque a presença ausente de Bale no filme é para ser assim que a impressão de pouco tempo em cena deve se dissipar - é necessário descolar o fundo do sujeito, é necessário ver de que forma essa presença foi encenada, o trabalho do ator dilapidado (ou não), e se essa impressão é mais ou menos do que uma impressão. Ficam ainda outros riscos, mas aí seria exigir demais de uma crítica deficiente e deficitária como a nossa... O fato é que o filme tem que ser discutido pelo que é, e não por ser o próximo filme após o sucesso Miami Vice, isso quer dizer após todo mundo dar a mão a torcer quanto aos talentos do Mann. Cautela, prudência, precisão: três palavras que, além de exigências naturais da crítica, são também exigências essenciais de um cinema como o do Mann.

Quanto à questão do inventor de formas, é aquilo que o Mourlet diz: somos mais as vítimas disso que os cineastas que vitimamos. Ontem foi De Palma (e eu mesmo estive no time, sei muito bem disso), antes foi Buñuel, antes ainda Gance... É uma velha história, enfim, e pelo menos em algum momento ou em outro a percebemos pela falácia que é.

bruno andrade disse...

Já começou a vir e já comecei a ler o inevitável concerto burlesco de imprecações e arrivismos.

É de se perguntar: porra, quando é que o equívoco vai cessar? Quando será que os nossos críticos começarão a agir como críticos? E como poderiam, quando não passam, não ultrapassam e não deixam de agir como a cambada de cinéfilos deslumbrados
que são?

O que de pior ando lendo vai na seguinte linha: "ah, pode ser que isso ou aquilo sejam problemas, pode até mesmo ser, mas é melhor não ir a fundo, é melhor não pensar muito a respeito; o melhor é levantar as mãos aos céus e agradecer que ainda temos filmes como este no verão americano".

O verão americano como referência - insulto um. A chantagem obsequiosa ("Michael Mann ainda faz filmes") - insulto dois. A atitude de completo deslumbramento estapafúrdio, acrítico e acéfalo - insulto três.

De todo modo, uma maneira de se gostar de cinema a ser evitada.

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