sexta-feira, 24 de julho de 2009

Oh: no dia em que Scorsese tiver a clarividência, o lampejo, o estalo, essa inteligência propriamente cênica que faz a câmera permanecer impassível diante do momento, lá no finalzinho, onde vemos o corpo imóvel de Stephen Lang frente a uma porta no instante exato em que uma distância se instala e o separa, já definitivamente, de Marion Cotillard, sentada atrás de uma mesa e de costas, mais próxima da câmera; o trabalho preciso feito sobre essa distância entre uma mesa e uma porta, de estabelecê-la, mantê-la e respeitá-la, e a partir dessa distância e desse intervalo esculpir o trabalho do ator, afiná-lo, modulá-lo, conservá-lo - nesse dia comparações poderão ser feitas entre Scorsese e Mann. Até que esse dia chegue, "só se pode comparar aquilo que é comparável e semelhante em ambição".

Ah sim, antes que me esqueça: Jeffrey Ford, Paul Rubell e Michael Mann estão ensinando Thelma Schoonmaker e Scorsese como trabalhar com esse tipo de montagem. Ela não é nem um pouco nova, não é? Não é nova mas dificilmente é bem feita como aqui, como em Miami Vice, como em Sunchaser etc.

(queria falar também sobre como o filme é basicamente O Siciliano pela perspectiva agnóstica do Mann, e como isso o torna um filme completamente diferente do de Cimino, mas isso fica para uma outra hora)

3 comentários:

Sérgio Alpendre disse...

eu tinha razão...

Sérgio Alpendre disse...

ah. Existem coisas que eu gosto em um e não encontro no outro, e vice-versa. Simples assim.

bruno andrade disse...

Scorsese é ex-cineasta há pelo menos uns 15 anos, faz filmes por comodidade e não imagino uma única razão pior do que esta para se fazer um filme. É um caso triste, só não mais triste que a insistência dos seus defensores, e também bastante peculiar, quase que oposto ao do Huston - que foi realizador por comodidade durante quase toda a sua carreira e deixou para ser um cineasta de convicção somente nas últimas obras. Em todo o caso, se a comparação é esta - e me parece mais justa que a comparação Mann-Scorsese -, então Scorsese já fez o seu Annie (O Aviador) e o seu Fuga Para a Vitória (Os Infiltrados). Vamos ver se daqui a pouco pinta um Under the Volcano ou The Dead - o que me parece difícil no caso desse blá-blá-blá Island, cujo trailer faz temer o pior sub-Alan-Parker-numérico possível (e DiCaprio mais uma vez fazendo uma imitação constrangedora das caretas do De Niro...). Vai ser triste ver mais um filme do Scorsese visualmente vizinho de Capitão Sky e o Mundo de Amanhã.

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