quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Auto-promoção pouca é bobagem. Depois tem gente que ainda tem o atrevimento de se ofender quando dizem, e com razão, que a publicidade venceu. Tem aqueles que debocham também, mas esses são indignos de consideração.

Mesmo assim, esse maldito jargonismo acadêmico permanece de longe o pior traço dessa ainda tão "jovem" (= decrépita) crítica brasileira.

15 comentários:

valente disse...

poxa, bruno, como leitor assíduo de seu blog eu sempre fico querendo que vc use menos generalizantes e diga mais de quem vc está falando. acho que enriqueceria tanto os seus escritos!

bruno andrade disse...

O engraçado é que "como leitor assíduo" do meu blog eu vejo você comentando muito pouco - de fato, nunca - quando o assunto não lhe concerne diretamente; isto é, quando eu estou falando de coisas como filmes, por exemplo.

Deixo a auto-promoção para quem é capaz de fazê-la, caso contrário estaria promovendo-a e esse claramente não é o meu intuito.

Mas se você acha que a carapuça lhe serve, sinta-se à vontade.

valente disse...

ué, não entendi: vc falou da carapuça, mas ao mesmo tempo vc mesmo disse que o post me concerne - o que eu não disse, inclusive porque não posso saber.

eu só pedi, como leitor (leitor tem a prerrogativa de comentar só o que interessa a ele, não?), que falasse mais claramente. até porque todos os grandes contestadores tinham por hábito deixar bem claro seus desafetos e inimigos, inclusive como forma de passar melhor suas mensagens. papo de "alguns" e "aqueles" é coisa de criança.

afinal, se não quer mesmo promover alguém, o mais digno e sensato a fazer é ignorá-los, não? (seja não lendo, seja não falando deles) já falar sem citar os nomes, sempre e toda vez (tirando os do Scorsese e do Despleschin, que, claro, não lêem blogs em português), é só covardia mesmo. se quiser dar outro nome, pode, mas fica por sua conta.

valente disse...

de resto, vc tem um blog (e agora uma revista, parabéns! e longa vida a ela) pra falar de filmes, eu tb tenho uma onde falo de filmes. não preciso vir aqui falar deles, venho aqui pra ler o que vc fala.

bruno andrade disse...

Você comenta aqui, dentre todos os outros posts, porque esse post em particular "lhe interessa". Ok. E, no entanto, ele não lhe "concerne"?

Posso supor então que por "interessar" você está dizendo que esse post lhe é interessante, importante, proveitoso ou útil. Ou então que ele te dá parte em algum lucro (e não é este o caso).

http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=interessar

http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=concernir

Quanto a falar mais claramente, não vejo um porque - o que aliás nunca vi, sendo isso aqui um blog. Como leitor assíduo do blog, e mesmo de blogs, acredito que você já pôde perceber que isso não acontece com grande freqüência no meu. "Laconismo" parece ser mais a ordem do dia. Porque não vi você reclamando que não "falei claramente" quando em maio ou abril desse ano postei frases de In a Lonely Place linkando no mesmo post uma poesia de Dellamorte Dellamore postada em março de 2008, nem que as minhas intenções "não ficaram claras" após postar algum videoclip do Modern Talking ou do Accept ou a foto do Jean-Pierre Léaud colocando a camisa no início de Le départ, ou qual era a minha intenção ao republicar o texto do Daney sobre Rambo ou esse em que Pierre Léon fala sobre gosto como o único objetivo possível (de que, a quem?). Poucas coisas claras por aqui, algumas um tanto mais (sim, Scorsese e Desplechin de fato não lêem português, como Samuel Fuller e sua esposa também não lêem, como Jean-Claude Brisseau e Jacques Rivette também não lêem, como Manoel de Oliveira e Dario Argento lêem mas provavelmente sem precisar acessar esse blog, como Karim Ainouz lê e espero que bem etc.); laconismo.

Quanto a ser um grande contestador, isso nunca foi nem mesmo uma intenção; é somente o que você diz. E discordo: não, os grandes contestadores não necessariamente tinham por hábito, ou têm, deixar bem claro seus desafetos e inimigos. Isso é especialmente verdade para os mais iconoclastas. Alguns dos maiores inclusive, por censura intelectual ou tipos piores de censura (geralmente as menos claramente óbvias enquanto tal), nem mesmo podiam fazê-lo; alguns sim, mas uma provável maioria não. Há, óbvio, grandes contestadores que o são com grande sutileza (os quais admiro profundamente) e que portanto escapam de toda e qualquer obviedade; outros que são óbvios mas sem nomear, e muitas vezes sem precisar nomear, o objeto de repúdio; VÁRIOS que falam em "alguns" e "aqueles" (geralmente de uma forma bastante entomológica)... Mas aí já estamos entrando em história, e não pretendo incomodá-lo com isso. Quanto à infância, oras, como leitor assíduo desse blog você devia saber que é uma das coisas que mais tenho em estima, sobretudo em arte. Se quiser falar em "infantilidade", que geralmente é coisa de adulto (criança não age "infantilmente", age como criança), tudo bem: não estou a negá-la.

Sobre o parágrafo final: ele é tão infeliz e absurdo, ainda mais vindo de alguém que supostamente ganha a vida como crítico de algo, que eu devia me abster de comentar. Mas não, vou comentar sim: ser crítico é, antes de qualquer outra coisa - antes de filme, obra, leitor, assiduidade, público, sujeito, objeto -, ser crítico é ser crítico de si mesmo. É saber quando se deve dizer um nome, quando não se deve dizer, é saber de que forma dizer esse nome quando se opta por dizê-lo, é saber que muitas vezes nem mesmo é necessário nomear e saber também que "nomear", nesse sentido mais vulgar de "dar nomes aos bois", tem pouco ou nada a ver com crítica.

bruno andrade disse...

Agora eu vou de fato fazer uma crítica, coisa que não havia feito até agora, nem mesmo no post (ali eu dei esporro mesmo, e com certeza não será o último): você não fala dos filmes só na sua revista não. Você fala deles no blog do Filipe, no do Sérgio (sobretudo quando este se atreve a falar mal de filme brasileiro de que gostas), em outros blogs, em listas de discussão e comunidades em geral. Então não venha pretender que o assunto aqui lhe "interessa" desta forma genérica e elusiva com que propões o teu "interesse"; você e eu sabemos que o buraco é mais embaixo. A questão aqui é: precisa que eu dê nome aos bois?

Acho que não.

valente disse...

é um direito seu achar que não precisa, e ter todos estes argumentos pra fazê-lo. continuo acreditando nos meus tb.

e se comento filmes no blog do Filipe ou do Sérgio e não no seu é pelo simples motivo que vc nunca me deu nenhuma razão de achar que poderia considerar interessante algo que eu teria a dizer sobre o tema, ao contrário deles. e como pra mim comentar num blog significa estabelecer, antes de tudo, uma comunicação com o blogueiro que ali escreve, não creio que vc tenha real interesse em estabelecê-la comigo.

então, deixo só pra quando tenho algo a me divertir fazendo, como hoje. pelo menos isso na vida a gente tem que fazer com total liberdade, né? se divertir.

coisa infantil mesmo, tipo vc achando que dá esporro em alguém.

(ah, sim, eu até me considero, e alguns me consideram crítico de algo. mas daí a dizer que ganho a vida com isso, não faria não. quer dizer, pelo menos não no sentido que eu dou ao termo)

valente disse...

mas, agora a sério, Bruno, é o seguinte: parabéns pela revista. ela não tem nada a ver com o que seria um desejo meu de fazer uma revista de crítica, mas ela é mais do que importante (pra mim, inclusive).

e sobre o teu blog, fazemos assim: vou continuar lendo (do meu jeito), e vou parar de vir aqui te chatear por pura vontade de fazê-lo. vou parar, em suma, de desejar que vc fosse diferente do que é, e me contentar em aproveitar as coisas sobre o que vc faz que me são úteis e queridas.

no fundo, o que eu queria é que da mesma forma acima vc fosse capaz de fazer com a Cinética, por exemplo. a gente se esbarra por aí.

te desejo sorte, mas acima de tudo, persistência, na Foco.

valente disse...

e pra fechar de verdade: eu recebo de muito bom grado todas as ressalvas, reservas e desagrados com o nosso projeto. recebo mesmo, é normal. o que eu não entendo, hoje nem nunca, é o tom usado.

ele é que me deixa triste porque, pelo menos desde que eu passei da adolescência e dessa fase na relação com a minha mãe, eu não tenho o menor saco de conversar (em todos os níveis do termo) com alguém que se vê em posição de me dar esporro. e seria legal conversar com vc, pelo menos pra mim (e uso o vc e o mim com todos os sentidos pra além do pessoal).

mas, paciência, como disse antes, converso aqui com seus outros textos.

bruno andrade disse...

"ela não tem nada a ver com o que seria um desejo meu de fazer uma revista de crítica"

Permita-me interpretar isso como o verdadeiro elogio do seu comentário, e dizer que da minha parte a recíproca é mais do que verdadeira.

valente disse...

não era nem uma crítica nem um elogio, mas uma simples constatação cujo vice-versa estava mais do que implícito no espírito do post, sem precisar da sua resposta.

post que falava justamente sobre conseguir passar deste fato pro seguinte, que é saber que aquilo que não te interessa fazer pode te interessar ler e conhecer.

mas, em suma, eu sei que falo ao vento.

bruno andrade disse...

O.K.

Fernando Verissimo disse...

lamentável.

Fernando Verissimo disse...

e lamentável de novo.

bruno andrade disse...

Ora, não foi a primeira nem será a última vez.

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