quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Melhor coisa pra se fazer num dia de sol como este?

Escutar os filmes.

Da cozinha, da sala de computador, pouco importa - para cada filme haverá uma distância ideal de onde escutá-lo, e a graça está justamente em encontrar esse lugar, essa distância.

The Naked and the Dead e Lo zoo di vetro do Cottafavi são quase tão bonitos apenas escutados quanto o são quando vistos e escutados.

Alguns filmes - alguns do Rivette, por exemplo, alguns Newman, Eugène Green, Whirlpool - parecem ainda mais bonitos quando só escutados.

Eis um verdadeiro traço de modernidade cinematográfica.

4 comentários:

Canjica disse...

Oxente, pirou foi?

Felipe disse...

Canjica, pergunta para o Daney de Olinda. Problema vai ser entendê-lo... Ou então procura por um mictório infecto do Coque, lá você ganha um doce.

Anônimo disse...

¿No es curioso que tanto Paul Newman como Vittorio Cottafavi llevaran a la pantalla precisamente esa obra de Tennessee Williams? Y que P.N. hiciera "Sometimes a Great Notion" y Cottafavi "Il taglio al bosco"...
Miguel Marías

bruno andrade disse...

Chega a ser consternante a marginalidade a que relegaram o trabalho televisivo do Cottafavi. Nesse salto para a televisão o Cottafavi agiu mesmo como pioneiro: não só o Williams mas também Antígona (adaptado duas vezes, em 58 e 71), Ibsen (que o Losey vai adaptar mais à frente, em 73), Simenon, Dostoievski (com Monica Vitti no lugar de Maria Schell - o Notti bianche que fez para a RAI foi à época bastante elogiado), Eurípides... O cinema moderno, pelo menos o mais interessante, o mais despojado e livre (e o despojamento do Cottafavi nessas produções é o que mais impressiona para quem conhece um pouco que seja a obra pregressa dele no cinema), esse cinema vai fazer um caminho semelhante, dentro da indústria cinematográfica ou indo para a televisão. Mas como nossos críticos e historiadores são incapazes de abandonar os velhos vícios, podemos contar com mais alguns anos de debates acalorados sobre Mad Men e essas imitações - ruins - de cinema - ruim - que a televisão produz hoje em dia.

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