sexta-feira, 16 de outubro de 2009

"O vínculo de Rohmer à política dos autores não escapa a ninguém, mas sua prática é na verdade tudo menos dogmática; ou bem, ele sabe escavar a relevância de um dogma sem confundi-lo com uma declaração de intenções: se não houver uma ruptura na personalidade de um cineasta, não haverá também nas suas obras. Esse tipo de pensamento é hoje positivamente intempestivo, uma vez que a crítica institucional, no seu programa de educação do público, conseguiu formar espectadores-alfandegários que obrigam os filmes que passam a abrir as malas para verificar se não há nada a declarar (esses aduaneiros anônimos se exprimem massivamente nos seus blogs, falando de filmes). As suspeitas (em desordem) de fracasso, de abjeção, de formalismo, de elitismo, de parisianismo, de conformismo, em suma, uma imensa e sombria negatividade, tomaram o lugar daquilo que funda, apesar de tudo, a relação com o cinema: a confiança e a lealdade."

Pierre Léon

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