"Como faço uma escultura? Simplesmente retiro do bloco de mármore tudo o que não é necessário."
Michelangelo
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3 comentários:
¿El testamento de Ulmer? Miseria cosmopolita, misterio, humor, el mito de la caverna de Platón. Buena introducción a su cine. Y a otros enigmáticamente próximos. Porque dudo que E. Green conozca o aprecie a Ulmer, y sin embargo veo puntos de contacto.
Miguel Marías
Enquanto o assistia não me vinha outra referência que Murnau - mesmo num rip ruim de VHS o que se sobressai é justamente o tratamento da luz, sua espessura (foto do Gabor Pogany, um gênio do mesmo nível de Bava) num filme que é justamente sobre a escassez, sobre a ausência de luz. Como no Murnau (e indiretamente no Straub, no Ford, nos três últimos Newman, em Cottafavi, Dreyer, Brisseau, Ophüls etc. etc. - em suma, em todos os cineastas que devem muito ao Murnau nesse aspecto da construção da luz no espaço) e como em vários outros filmes do Ulmer, é na luz e na absorção desta pelos reflexos, reveladores ou indecifráveis, dos atores (John Saxon especialmente magnífico, como que completamente reinventado por Ulmer na que talvez seja sua melhor atuação - o que não é dizer pouco); na relação - de refração ou de pregnância - que essa luz mantém com o décor mesmo nos seus cantos mais retirados (maravilhosos planos gerais da caverna, e agora me ocorre que lembram, não sei se vagamente ou se muito, mas lembram as composições mais célebres de Night of the Hunter); enfim, é nas diferenças de grau em intensidade e mistério que encontro o verdadeiro assunto do filme. Quando as palavras finais surgem na voz do velho general, a sensação é a de que um novo mundo - transformado, sanado de suas mazelas - se revela aos olhos dos personagens assim como aos nossos. O próprio Rossellini não foi mais longe do que isso.
No mais, se eu tivesse que relacionar o filme a algum cineasta contemporâneo, diria que ele está a meio caminho da selvageria de um Ruiz civilizada pelo olhar imperturbável de um Oliveira.
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