quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Põe-se a obra de Guitry ao lado dos Mizoguchi da época, do “Citizen Kane” ou de “La règle du jeu” e não me venham falar de diferenças formais, profundidades de campo, magias por trucagens, ilusões qualqueres, ambiências fora-do-mundo, ritmos ou tonalidades.

3 comentários:

Jesús Cortés disse...

Da alegría ver que se habla así de bien de Guitry. Ojalá algún día no le sonara a nadie como una boutade.

bruno andrade disse...

A Cinemateca Portuguesa andou exibindo justamente Les perles de la couronne, e deve exibir por agora Femmes femmes. Programação de dar inveja.

Desse mesmo período, vi outro dia umas cenas de Ils étaient neuf célibataires. A desenvoltura desses filmes dos anos 30 é inacreditável - é como se Guitry adiantasse em espírito coisas que o cinema levaria 25, 30 anos para ousar fazer (mesmo um filme como Les 3 font la paire, rodado nos auspícios da nouvelle vague, passa essa mesma impressão).

Luis disse...

Désiré, Le Nouveau Testament, Faisons un Rêve, Mon Père Avait Raison...

Acho que há muito poucos cineastas que tenham uma sequência como a do Guitry de 1936-39. E o homem dizia que não estava fazer cinema, apenas "teatro enlatado". Penso que é essa a razão: se ele pensasse que estava a fazer "cinema", e logo a ter que adoptar "regras" e "códigos", nunca seria tão admiravelmente nem, sobretudo, tão selvaticamente inventivo. Guitry é isso mesmo, um selvagem, talvez o maior dos cineastas selvagens (coisa que convém distinguir de cineastas "bárbaros", como diria o nosso caro Eugéne Green)

Soube-me bem ler esse comentário da inveja, Bruno.

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