domingo, 23 de janeiro de 2011

http://breslaubeer.blogspot.com/2009/07/perolas-da-antiga-rock-brigade.html

11 comentários:

João Gabriel disse...

Se Pedro Costa está certo, e Ozu e Straub são rock, quem faz heavy metal no cinema?

bruno andrade disse...

Verhoeven, Argento. De vez em quando Carpenter.

Felipe disse...

Carax, Pialat, João César Monteiro, Herzog. De vez em quando Kiarostami.

bruno andrade disse...

Carax certamente. Herzog, parece-me estar justamente mais para um folk.

Bury disse...

Um incrível que não consta aí, falando de um disco do Tokyo Blade:

"Mas o que mais estraga o disco é o novo vocalista Vic Wright (muito americanizado e muito choroso). Ao gravar o LP, ele deve ter sentado no colo do produtor e deixado entrar até os bagos".

João Gabriel disse...

Kiarostami não entendi!

Outra opção: Walsh. Os canhões de The Naked and the Dead; Rock Hudson "encarando o demônio de frente"...

bruno andrade disse...

Verhoeven é facilmente comparável ao Walsh.

Felipe Medeiros disse...

João, falo do Kiarostami de O Vento nos Levará e Gosto de Cereja. Ajudou? hehe.

Acredito que o Costa falou sobre os cineastas "rockers" no sentido de realizarem com muito pouco (ou à base do mínimo estrito essencial) filmes incríveis, assim como os Sex Pistols, os The Clash, os Nirvana (bandas de sua predileção), na música.

Juntando isso àquela sensação-limite que me surge ao ouvir algum heavy metal, pensei à queima-roupa nesses cineastas.

Kiarostami pelo touch com que fala da morte, sua maneira de suscitar a implosão interior das personagens diante dela, suas descobertas e as marcas inequívocas de si que vão vislumbrando/retendo. Enfim, acredito que seja uma espécie de Balls to the Wall mais comedido, talvez, mas ainda assim com os culhões à altura do joelho. hehe.

Sobre o Herzog, Bruno, não deixo de concorar contigo. Acho que os cantores folks estão muito mais próximos dos metaleiros do que se possa imaginar.

Por sinal, o gênero folk é o meu favorito. Voz, violão e boas imagens. Quem precisa mais do que isso?

João Gabriel disse...

Felipe, saquei sobre o Kiarostami. Mas acho o cara muito sereno, a morte sendo um processo, ao invés de um enfrentamento direto, por isso acho que não colocaria como "metal".

E o Pedro Costa quis dizer exatamente isso que você falou. Mas o heavy metal pede uma virtuosidade que transcende essa matéria bruta do rock (às vezes, a reencontrando, como Slayer) para alcançar a glória perdida ou cólera do Carax, Pialat, Walsh, Verhoeven...

Felipe disse...

Entendo, João. Eu fui mais na base do espírito da coisa, entendendo que todos ali seriam perfeitamente expressivos em sua economia. Escolhi o Pialat, o Carax, o Monteiro e o Herzog justamente por essa cólera, sua rebeldia, não-conformismo. O classicismo insurgente do nossa tempo.

Compro a tua observação sobre o Kiarostami. O nome dele foi uma tentativa de ampliar o leque. Reconheço esse espírito sereno, mas sobretudo em Gosto de Cereja, o processo que desencadeia aquela resignada agonia do final, e o mesmo em O Vento nos Levará para o abandono ao espírito da matéria sobre a velha mulher prestes a morrer, da parte do enviado à cobertura, ele me parece vir com uma unidade desconcertante e fulminante que não me lembro de ver em nenhum outro filme dele.

Lembra da cena do osso a flutuar pelo rio? Acho-a perfeitamente serena, mas ela me chega quase em forma de crescendo (ou uma estridência de acordes no máximo de distorção) na sua gradação emocional. Talvez Kiarostami me desperte muito mais heavy metal do que ele realmente seja um “metaleiro”. hehe

Mas queria justamente chegar a esse ponto da culminação dos processos que vão se estabelecendo nos dois filmes. O que essa culminação de gestos implica em proximidade com as personagens e seu desacordo com o mundo à volta. A mim pelo menos, isso chega como um enfrentamento direto nesses filmes, com acentuação em Gosto de Cereja, embora o que fica nas entrelinhas de O Vento nos Levará seja tão direto em seu confronto: o protagonista simplesmente “desiste” do cortejo agourento da mídia, há uma mudança de postura que suscita um futuro indefinido mas orgulhoso.
Basta falar dessa cena que me dá vontade de fumar um Camel pelas narinas. Hehe

Abraço.

bruno andrade disse...

Só mesmo um metaleiro de coração e de alma, um verdadeiro, para transformar New Skin na Internacional do socialismo revolucionário dos fodidos dos anos 90 (e dos anos 00, que no fim das contas foram apenas a amplificação atenuada e sem verbas da década anterior).

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