domingo, 13 de março de 2011

O nome de Céline saltou-me à pena. Gostaria de tirar proveito. Fuller também escrevia. Em todo caso existe seu estilo que, em toda parte, o precede. Dele, pudemos ver mês passado uma amostra bastante eloqüente, sob a rubrica “Expériences”. O machado, os cadáveres envoltos em papel de embalagem, a descoberta de Jeanne Eagels morta, ali estava ele. É necessário pôr Fuller entre seus pares. Evidentemente não há qualquer dificuldade nisto. Eu citarei aqueles que me vêm à mente. Carlyle (Victor Basch dizia que “ele só podia pensar e escrever a partir do momento em que se encontrasse encolerizado e se este estado de sobre-excitação não admitisse testemunho”) ou Céline, ou Giono, o Giono de Refus d’obéissance. Todos com algo de sombrio e de denso, à margem, proféticos, tomados por loucos, indispensáveis. Refinados também. “Engajados na rota maldita do refinamento espontâneo... após uma bruta carreira de bruto entre os brutos”. (L.F.C. again num livro proibido). Esse refinamento de tudo expor no primeiro movimento, aquele do coração, de explodir esquecendo os habituais desvios da linguagem: a reserva, a prudência, os subentendidos; essa faculdade tão rara de estar presente na menor palavra e não somente no sentido geral do discurso. Todos eles homens de perigo, enfim, a não se meter entre as mãos de qualquer um. Um privilégio, então, que a existência de Fuller numa arte tão desordenada quanto o próprio escândalo (o verdadeiro) não a escandalize, ou o faça muito pouco, passando despercebida ou sendo prontamente escondida, desnaturada. Grandioso, refinado, perigoso: aí estão os traços que importa indicar inicialmente a propósito de Fuller, e que poderiam ser o suficiente.

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