sábado, 9 de abril de 2011

No começo, tudo, para o primitivo, é natural; o sobrenatural só aparece com o saber. A religião, por conseguinte, é o milagre, é o que o homem não sabe, ainda não atingiu e, mais tarde, nas formas depuradas, o que ele quer saber e atingir, seu ideal. Mas, antes do sobrenatural, tudo se explica na natureza, porque o homem empresta a todas as formas, a todas as forças, sua própria vontade e seus próprios desejos. É para o atrair que a água murmura, para assustá-lo que o trovão ribomba, para despertar sua inquietação que o vento agita as árvores, e o animal está, como ele próprio, repleto de intenções, de malícias, de desejo. Trata-se de torná-lo favorável e de adorar sua imagem, para que ele se deixe capturar e comer. A religião não cria a arte, é a arte, ao contrário, que a desenvolve e a instala vitoriosamente na sensualidade do homem, conferindo uma realidade concreta às imagens felizes ou terríveis sob as quais o universo se lhe apresenta. No fundo, o que ele adora na imagem é seu próprio poder de tornar a abstração concreta e, desse modo, aumentar seus meios de compreensão.

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