sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A introdução da feiúra na arte moderna começou com a adolescente ingenuidade romântica de Rimbaud, quando disse: "a beleza sentou-se em meus joelhos e estou fatigado dela". Foi por essas palavras cifradas que os críticos ditirâmbicos - exageradamente negativistas, e odiando o classicismo como todo rato de esgoto que se respeita - descobriram a agitação biológica da feiúra e seus inconfessáveis atrativos... Começaram a se maravilhar com uma nova beleza, que diziam "não-convencional", e ao lado da qual a beleza clássica tornava-se de repente sinônimo de frivolidade.

Todos os equívocos eram possíveis, inclusive o dos objetos selvagens, feios como os pecados mortais (que eles são, em realidade). Para ficarem em uníssono com os críticos ditirâmbicos, os pintores passaram a fazer o feio. Quanto mais o faziam, mais eram modernos.

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