sexta-feira, 2 de março de 2012

A tristeza durará para sempre

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

É isso mesmo, chega de iconoclastas, deu para a bola deles, o mundo é dos Migliorin: agora é hora de formar "gente do mercado", pegando os moços bem comportados e bem arranjados da diplomada e diplomática (e, portanto, acadêmica) arte contemporânea (os mendigos de Fontainhas que se fodam ou que consigam bolsas) e recrutando-os nos novos Delannoy, Clément, Aurenche & Bost, Feyder, Allegret, Jeanson, nos próximos Desplechin, Assayas, Kechiche, Honoré, Hansen-Løve (The dominant trait of psychological realism is an anti-bourgeois disposition. But what are Aurenche and Bost, Sigurd, Jeanson, Autant-Lara, and Allegret, if not bourgeois? - com a diferença que hoje, com a exceção do Kechiche, o escudo do álibi da pose e da atitude anti-burguesa não se faz mais necessário: agora nossos burgueses devidamente reformados e eximidos de suas culpas pelo 68 francês podem esparramar suas burguesias nas formas de más-consciências, de pequenas histerias cotidianas, de violência vulgar, transformando a densidade, a envergadura e a violência reveladora dos personagens de Pialat e Eustache em caricaturas de fantoches esvaziados pelo tipo mais nefasto de telerealidade - o cinematográfico -, numa verdadeira estética do morde-e-assopra que, noves fora a reforma ideológica que mencionei acima, é esteticamente igualzinha ao cinema que há 60 anos atrás os Cahiers combatiam ao invés de incentivar como fazem hoje. Essa estética, evidentemente sem a reforma ideológica, é igualmente verificável no cinema brasileiro bóia-ou-afunda dos anos 2000), enfim, qualquer coisa que sepulte de vez o fantasma desses malditos aventureiros do cinema moderno.

8 comentários:

bruno andrade disse...

Via Buster.

bruno andrade disse...

Até porque a arte contemporânea, sempre astuta e movediça, já cooptou da forma mais parasitária possível o que havia de mais superficial na modernidade, os signos exteriores desta convertidos nas grifes daquela - basta ver como de cada dez cineastas contemporâneos oito se dizem ou se sentem devedores de Cassavetes e Antonioni, nunca de um Newman ou de um Ferreri -, amenizando e finalmente neutralizando o que havia de mais potente, perigoso e esteticamente incômodo na arte dos modernos. "Modernidade líquida", "contemporaneidade", "neo-moderno", "neo-pós-moderno": os neologismos preferidos dos acomodados e deslumbrados das escolas, os bons alunos que tudo aceitam de forma passiva pois acreditam na suposta capacidade revolucionária intrínseca do conteúdo dos xerox embolorados que lhes são passados, das idéias que propagam sem sequer ruminar: os vidiotas funcionais da chantagem intelectual do charlatanismo discursivo.

irmãos pretti disse...

escola, cinema e a maior quantidade de asneiras que você pode ler por segundo:

http://nplusonemag.com/costa-in-indiana

ricardo

bruno andrade disse...

Perfeito o que ele diz sobre Apichatpong.

irmãos pretti disse...

também acho certeiro. hoje vi uma conversa com edgar navarro e ele falou em diamante também, banhado de sangue.
mas já os garotos que entrevistaram o pedro costa me parecem uns boçais, tudo que uma escola pode produzior de pior.

bruno andrade disse...

A mim nem incomodaram - apenas aquela coisa anódina, protolocar, inodora de sempre. Nem dá para comparar com os correlatos brasileiros, que possuem esse extraordinário talento de formular perguntas muitas vezes três vezes maiores que as respostas dos entrevistados.

bruno andrade disse...

Quer dizer, é boçal sim julgar que porque tem uma história, uma vivência, experiências, personalidade e, portanto, prefere certas coisas a outras, faz escolhas, assumindo as responsabilidades e conseqüências dessas escolhas, o cara "tem os seus demônios". Não que não tenha, mas o que há de tão extraordinário nisso? Porra, o que esses garotos fizeram nas suas vidas, assistiram os Ursinhos Gummy até pousar de pára-quedas na primeira disciplina de Comunicação e Cultura?

bruno andrade disse...

Diplomado e diplomático (e, portanto, caduco).

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