quarta-feira, 14 de março de 2012

Revertamos o mito e perguntemo-nos, ao inverso de Platão, se a sabedoria não estaria ao contrário em permanecer sentado como no cinema deleitando-se dessas aparições, no cinema em todo caso. Pois no cinema só se vê as aparências, isto é: o que a câmera viu antes de nós. Somos obrigados a confiar pois só vemos o que ela viu. O que a câmera vê, e obriga o espectador a olhar, são as aparências: na verdade, é a própria realidade, é a vida, a verdade que ela nos faz contemplar. No cinema dir-se-á que sim, mas e na vida?

Bem, na vida não é diferente. Vemos apenas as aparências e nós não as discutimos, apesar de alguns bons espíritos que querem nos fazer crer que estamos sofrendo de cegueira ou de astigmatismo, e que seria necessário procurar em outro lugar. É esta a lição dos professores de moral de hoje, o chamado politicamente correto! Temos a realidade diante de nossos olhos, mas eles nos designam as nuvens. Pode-se prolongar a lição e, para resumir, dizer que sob o pretexto de descobrir a verdade eles nos fazem voltar os olhos para a única luz, o que na história é chamado de Iluminismo. Ao passo que existe uma outra claridade, mais escura, mais subterrânea mas mais rica em mistério que nos vem da escuridão, desse fogo central da terra que nunca, desde o início dos tempos, cessou de se consumir.

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