quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

NO COMMENT

Do you feel class is something not addressed enough in U.S. film?

[Class is] not discussed in American life very much -- there’s a notion that social or economic class divides don’t exist when of course they do. But that wasn't always true in film -- think of John Ford, it’s always all over his films. The idea of "Vertigo" is partly genius because of social class -- the idea is he has to make Kim Novak up to the fancier version of Kim Novak in order to rekindle his obsession. So class becomes part of that story. Today, I mean, what social class can you find if someone’s a fucking Spider-Man? What the fuck does that mean?

I'm sensing a degree of dissatisfaction with current mainstream U.S. film from you...

I think it’s in profound trouble in a way that is not reflected by people writing about cinema now. What I find troubling is, I’ll read, for example, conversations between AO Scott and Manohla Dargis [in the New York Times] and I find that they’re extremely erudite, and I love what they say.

But sometimes I feel like the subtext is them trying to convince themselves and each other that the state of cinema not so bad. And what neither of them has ever really addressed, and I have not read it anywhere else either, is the troubling disappearance of "the middle." Which is not to say the middlebrow -- that exists with flying colors. But there is tremendously interesting cinema being made that is very small, and there are very huge movies which have visually astounding material in them, but you know Truffaut said that great cinema was part truth, part spectacle, so what’s really missing is that. It’s what United Artists would have made in 1978 or something.

Like "Raging Bull" could not be a low-budget movie, it just couldn’t, there’s a certain scale that’s involved in making it, and no one would make "Raging Bull" today. The last example of the industry doing this middle movie that I’m talking about, to me would be Michael Mann’s film “The Insider” which I really like. That has scale and also a bit of truth it. What I don’t see as part of the discourse is a discussion on the economic forces that have forced out the middle. There is some discussion, some awareness, but not enough, because to me that is the central crisis of American movies: the disappearing middle of the mainstream.

So where has the audience for these films gone?

They’ve migrated to television. So there’s superb television, but it’s not for me because first of all, the two-or-three hour format is just perfect, because it replicates best our birth-life-death cycle. "The Sopranos" was genius television but it went on forever, and it never seemed to culminate in anything, and then everyone was pissed off at the ending but that’s exactly why TV cannot substitute for a great movie because the swell of the architecture of a movie is part of what makes it the most beautiful visual art form.

And it’s true, right? There’s a kind of beautiful movement to a wonderfully structured film which is not reproduce-able by the best "Breaking Bad" [episode], which, by the way, is great. But it’s not the same thing - that’s a kind of luxuriate, get the food delivered, sit down in front of the TV and for that moment, that hour, you’re in pleasure, and then you go back to your life until the next week. It’s not quite the same [as a movie], not as transformative.

(...)

Does storytelling feel too unironic for our ironic times?

Yeah, I’m not exactly certain when that began. And it’s not just movies, it’s culture-wide. Look at music, the idea of melody. I would say over the last 30 years melody is not really particularly important. Isn’t that analogous to story [in film]?

I think that people have done [the destruction of narrative thing]. Derek Jarman made "Blue," and that’s it. Once he made "Blue" you can’t do anything else. Once Andy Warhol shot the Empire State Building for 8 hours what are you going to do? What more can you do? Jackson Pollock "broke the ice." And by the way I love these people. Jackson Pollock is the greatest, I’m not badmouthing these people, but cinema, for me, the meaning of it is telling a story on film.

For me, it’s an act of hubris to say that you don’t need story because it means that we would be members of the first group of human beings in the entire history of the human race that didn’t need story. And I’m not so arrogant as to suppose that’s the case.

3 comentários:

Igor disse...

É sempre agradável quando um autor na ativa defende a tão vilipendiada narrativa clássica (que seguirá sólida e intrépida enquanto existir o homem), ainda que eu tenha sentido em seu "by the way I love these people", uma ressalva desnecessária. É como se, com receio em criticar, pedisse licença para tanto. Não se trata de negar a importância histórica de Warhol, de Pollock etc., mas assumir um gosto, justificá-lo criticamente.
Pollock não é o maior de todos, e Warhol era apenas um grandíssimo idiota.
É bom que haja cineastas como o Gray fazendo filmes como os que faz, mas também seria bom que começassem a aparecer aqueles a confrontar alguns mitos de certa arte moderna, sem medo da patrulha, sem aderismo, alguém que assuma uma escolha, um gosto. Imagina se aqui no Brasil se levará a sério alguém que não goste, sei lá, de Clarice Lispector ou Guimarães Rosa - será apenas mais um reacionário que lê Sófocles e Shakespeare...

bruno andrade disse...

O Gray, como o Preminger, é fãzaço de Picasso e Paul Klee. Então nem vejo como obséquio de nota de rodapé o que ele diz - é mais o fato do foco, e conseqüentemente da síntese, do pensamento dele ser outro. Ele é sincero quando fala da admiração dele por arte moderna, principalmente em vista do que faz nos filmes (a cena na danceteria em The Yards, o epílogo e o prólogo de Little Odessa, os planos-seqüência no terraço em Two Lovers etc. - exemplos abundam).

Um amigo acabou de me dizer o seguinte: numa entrevista que fizeram com o Sganzerla perguntaram o que ele recomendava para quem estivesse entrando num curso de cinema. Ele respondeu: "Que saia e vá atrás de uma obra completa do Padre António Vieira. Leia e depois faça um filme."

O que as pessoas fazem? Assistem Sem Essa Aranha e depois acham que vão sair com uma câmera em Copacabana e recomeçar a Belair. Como sempre, o Sganzerla estava há algumas léguas do caipirismo local.

Acho que voltamos à questão da heterogeneidade, e acho que esse trabalho de que falas, de confronto de mitos, já está e, mais importante, ainda está sendo feito. Holy Motors é evidentemente o filme que veio para abalar/balançar todos os colossos de pé de argila da contemporaneidade mais fútil travestida de modernidade (ecunêmica e convencional, ou seja: nem tem como se falar de fato em modernidade), mas tem ainda os casos do Achard, do Green, do Guiraudie, do Straub, de certa forma os do Bellocchio e do Herzog também, o próprio Godard no que tem feito (e, infelizmente, no que tem sido muito mal visto e mal compreendido pelos lobotomizados de sempre, aqueles que batem palma para ele sempre pelas razões mais... inexistentes, para ser bem generoso), e antes desses teve toda uma geração na França que travou muito bem esse confronto: Brisseau, Vecchiali, Biette, Moullet (2 3), Eustache e Pialat também (embora esses dois tenham sido recuperados/cooptados como álibis estéticos pelo cinema mais arquetipicamente constipado e burguês que por lá tem sido feito nos últimos 25 anos), aqui no Brasil o Saraceni totalmente solitário de um lado e Sganzerla e Tonacci do outro, na Itália o Ferreri e os Taviani (estes até os '70 pelo menos), e pelos '70/'60 a coisa se espalha até o Japão, Alemanha, Suíça (Tanner, de quem ninguém mais fala, o que é impressionante, tendo em vista que o cara foi uma das principais referências do Fassbinder; Michel Soutter é outro caso criminoso de desinteresse e ignorância), Canadá etc.

O que falta são algumas coisinhas bem simples, mas que devo concordar que andam em baixa: curiosidade, generosidade, amplitude de ação (<- como para ->), convicção, a sinceridade de que o Gray tão bem fala e principalmente orgulho, ou intrepidez (que é apenas uma das inúmeras coisas que tornam um Walsh ou um Verhoeven 15.000.000.000 de vezes mais modernos que os mocinhos/aluninhos/soldadinhos bem comportados da anestésica arte contemporânea).

Mas enfim, eu sou apenas o cara dos "rompantes classicistas". Logo, que diabos faço me metendo numa discussão cujos termos sequer entendo, certo?

Igor disse...

Bom, acho que você cobriu todos os pontos. Fiquei pensando se escolhi bem ao usar dois pronomes indefinidos (alguns mitos; certa arte moderna) para expressar quantidade restrita, mas que poderiam acabar expressando generalização, contra a minha intenção.
A boa arte moderna é boa como qualquer outro tipo de arte, ou seja, não pela sua classificação. A questão é a mesma que estamos sempre a tratar, de que não se discrimina uma obra de arte pela sua categoria, nem se confunda a categoria como a obra de arte por si só. Por isso reagi ao Tessé e à ressalva do Gray aqui, que teria um sentido completamente diferente se ele tivesse usado Picasso em vez de Warhol. Assim como você não encaixou um Lelouch entre os cineastas que escolheu a dedo para ilustrar justamente que o importante é... escolher a dedo!
Acho sempre injusto contrapor cinema moderno a cinema clássico, e só por isso me incomodou o desagravo do Gray. Prefiro contrapor Picasso a Duchamp, Cimino a Spielberg...
Contrapor a verdadeira liberdade aos grilhões dessa patrulha que desqualifica James Gray pelos mesmos maus motivos que desqualifica o cara dos “rompantes classicistas”.

Arquivo do blog