sexta-feira, 11 de abril de 2014

At the dawn of modern science, in the Renaissance, Leonardo da Vinci declared that the painter, "with philosophic and subtle speculation considers all the qualities of forms." He insisted that the "art," or skill of painting must be supported by the painter's "science," or sound knowledge, of living forms, by his intellectual understanding of their intrinsic nature and underlying principles.

Leonardo's science, like Galileo's a hundred years later, was based on the systematic observation of nature, reasoning, and mathematics — the empirical approach known today as the scientific method — but its contents were quite different from the mechanistic science developed by Galileo, Descartes, and Newton. It was a science of organic forms, of qualities, of patterns of organization and processes of transformation.

In the 17th century, Galileo postulated that, in order to be effective in describing nature mathematically, scientists should restrict themselves to studying those properties of material bodies — shapes, numbers, and movement — which could be measured and quantified. Other properties, like color, sound, taste, or smell, were merely subjective mental projections which should be excluded from the domain of science.

Galileo's strategy of directing the scientist's attention to the quantifiable properties of matter proved extremely successful in classical physics, but it also exacted a heavy toll. During the centuries after Galileo, the focus on quantities was extended from the study of matter to all natural and social phenomena within the framework of the mechanistic worldview of Cartesian-Newtonian science. By excluding colors, sound, taste, touch, and smell — let alone more complex qualities, such as beauty, health, or ethical sensibility — the emphasis on quantification prevented scientists for several centuries to understand many essential properties of life. In the 20th century, the narrow mechanistic and quantitative approach led to major stumbling blocks in biology, psychology, and the social sciences.

The past three decades, however, have seen a renewed attention to quality. During these decades, a new systemic conception of life emerged at the forefront of science, which, in fact, shows many striking similarities with the views held by Leonardo 500 years ago. Today, the universe is no longer seen as a machine composed of elementary building blocks. We have discovered that the material world, ultimately, is a network of inseparable patterns of relationships; that the planet as a whole is a living, self-regulating system. The view of the human body as a machine and of the mind as a separate entity is being replaced by one that sees not only the brain, but also the immune system, the bodily tissues, and even each cell as a living, cognitive system. Evolution is no longer seen as a competitive struggle for existence, but rather as a cooperative dance in which creativity and the constant emergence of novelty are the driving forces. And with the new emphasis on complexity, networks, and patterns of organization, a new science of qualities is slowly emerging.

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Ao indagarmos que espécie de diversão (direta), que prazer amplo e constante o nosso teatro nos poderia proporcionar com suas reproduções do convívio humano, não podemos esquecer que somos filhos de uma era científica. O nosso convívio como homens – a nossa vida, quer dizer – está condicionado, pela ciência, dentro de dimensões completamente novas.

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Se bem que as novas ciências tenham proporcionado uma tão enorme modificação e, sobretudo, a possibilidade de modificação do nosso ambiente, não se pode, na verdade, afirmar que estejamos imbuídos do seu espírito, que ele condicione a todos. O motivo por que a nova forma de pensamento e de sensibilidade não se impôs ainda às massas está no fato de a classe que deve justamente às ciências a sua supremacia – a burguesia – impedir que as ciências, que foram tão proveitosas na exploração e sujeição da Natureza, se apoderem de outro domínio ainda virgem, o domínio das relações dos homens entre si e no ato de explorar ou subjugar a Natureza. Esta tarefa, da qual dependem todas as outras, foi efetuada sem que os novos métodos de pensamento que a possibilitaram viessem esclarecer a relação recíproca existente entre aqueles que a efetuaram. A nova visão da Natureza não incidiu também sobre a sociedade.

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Com efeito, as atuais relações entre os homens tornaram-se mais impenetráveis do que outras. O gigantesco empreendimento comum em que estão empenhados parece indispô-los cada vez mais e mais, o aumento de produção causa aumento de miséria e com a exploração da Natureza somente lucram uns poucos e, precisamente, por estarem explorando os homens, o que poderia ser o progresso de todos torna-se a vantagem de alguns apenas, e uma parte crescente da produção é voltada à criação de meios destruidores destinados a guerras poderosas, a guerras em que as mães de todas as nações, com os filhos apertados contra si, esquadrinham estupefatas o céu, no rastro dos inventos mortíferos da ciência.

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Os homens de hoje estão, perante as suas próprias realizações, exatamente como outrora, perante as imprevisíveis catástrofes da Natureza. A classe burguesa, que deve à ciência a sua prosperidade, prosperidade que transformou em domínio ao tornar-se sua beneficiária exclusiva, não ignora que, se a perspectiva científica incidir sobre suas realizações, isso representa o fim do seu domínio. A nova ciência, que se debruça sobre a natureza das diversas sociedades humanas e que foi fundada há cerca de cem anos, mergulha suas raízes na luta dos dominados contra os dominantes. Desde então, tem-se manifestado nos trabalhadores, para quem a grande produção é vital, algo que é, no findo, como que um espírito científico; segundo esse espírito, as grandes catástrofes são consideradas como obra dos que dominam.







A ciência e a arte têm em comum o fato de ambas existirem para simplificar a vida do homem; a primeira, ocupada com a sua subsistência, a segunda, em proporcionar-lhe diversão. No futuro vindouro, a arte extrairá diversão da nova produtividade, produtividade esta que tanto pode melhorar a nossa existência e que, uma vez livre de obstáculos, pode vir a ser, em si própria, o maior de todos os prazeres.

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Se quisermos, pois, entregar-nos à grande paixão de produzir, qual deverá ser o teor das nossas reproduções do convívio humano? Qual será a atitude produtiva, em relação à Natureza e à sociedade, que, no teatro, nos recreará, a nós, os filhos de uma época científica?

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Essa atitude é de natureza crítica. Perante um rio, ela consiste em regularizar o seu curso; perante uma árvore frutífera, em enxertá-la; perante a locomoção, em construir veículos de terra e de ar; perante a sociedade, em fazer uma revolução. As nossas reproduções do convívio humano destinam-se aos técnicos fluviais, aos pomicultores, aos construtores de veículos e aos revolucionários, a quem convidamos a vir aos nossos teatros e a quem pedimos não esqueçam, enquanto estiverem conosco, os respectivos interesses (que são uma fonte de alegria); poderemos, assim, entregar o mundo aos seus cérebros e aos seus corações, para que o modifiquem a critério.

Um comentário:

bruno andrade disse...

Underline meu.

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