quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A representação do sexo no cinema, que avançou uns 1.500 anos-luz nas mãos do Brisseau e da Breillat (sem metáforas, sem equivalências barbáricas e baratas no Brisseau; e quando é o caso, como na Breillat, de recorrer a analogias, "os signos magníficos se banham na luz da evidência"), regrediu uns 3.000 nas mãos do von Trier (restituiu todo esse fundo de civilização de que Brisseau e Breillat se despojaram, deixaram para trás, sublimaram), e provavelmente mais uns 5.500 com a covardia expressa do final desse último filmeco dele.

(E a árvore torta à beira do penhasco, hein? Difícil dizer se esse tipo de coisa está mais para fundo de tela de computador ou para cena deletada de filme do Aluizio Abranches ou do Heitor Dhalia.)

6 comentários:

bruno andrade disse...

Vendo Ninfomaníaca 2 no TC Cult.

Quanto tempo para o von Trier dar uma de Tarantino e prometer o 3?

Lucas disse...

Brakhage NA DÉCADA DE 50.

bruno andrade disse...

Lucas: I see what you mean, mas acho que a questão do Brakhage nem sequer passa por representação.

Lucas disse...

Nesse período eu acho que passa sim. É justamente quando ele começa a se livrar do peso da representação, e quando busca as situações que parecem se colocar no limite da representação; não é por acaso que ele não aceita mais atores. Me parece fundamental como complemento ao Brisseau (não conheço Breillat, e não vi o filme do Von Trier).

bruno andrade disse...

My mistake. É aquele dele com a mulher dele?

Lucas disse...

Sim, nessa fase tem alguns em que ela aparece. Tem tanto os dois fazendo sexo como ela em trabalho de parto. Esses, mais os filmes sobre morte (sobre decomposição, autópsia, etc.), são os que eu considero mais interessantes pra contrapor ao Brisseau.

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