quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Ordet. Arte, 23h30.

Par Louis SKORECKI — 27 mars 1997 à 22:39

Après le triomphe de Breaking the Waves, il n'est pas inutile de se confronter au film fondateur dont Lars Von trier, inépuisablement, se réclame, cet Ordet immémorial qui l'inspira pour son scénario sacrificiel. Là où Carl Dreyer ose l'épure et l'épi, Von Trier rabâche la religion. C'est ce qu'on se dit en revoyant les images sèches et immaculées du miracle dreyerien, profane et non pas sacrificiel. Là où Dreyer se permet l'ellipse et la césure, noyé qu'il est dans la blancheur immaculée de ses plans-séquences herbeux, Von Trier n'insiste que sur les hauts-le-coeur de son Cinémascope porté à hauteur de pseudo-cicatrice. Exigeant de son actrice une hystérie jouissive, il perd le Nord des repères dreyeriens (emphase immédiate, enflure enjouée) qui ne sont pas, eux, des balises pour un voyage naturaliste.

A revoir Ordet, c'est bien ce qu'on se dit. Que le voyage, ici, est bien entre l'un et l'autre, entre le même et le même. Que la différence, ici, n'est qu'un jouet des apparences. Que le Christ barbu n'est qu'un comédien hardi. Que sa joue tendue pour l'autre gifle n'est qu'un jouet joueur. Là où, encore une fois, le Danois nouveau se déguste comme beaujolais de la souffrance éperdue, le Danois d'antan nous réclame entiers, attentifs à l'âme intacte de ses acteurs modestes. Dreyer est définitivement le cinéaste de l'artifice, le maître d'armes du feu qui couve sous la plaie, l'organisateur terrible d'une partouze céleste. A mille lieues, donc, de la partouze littérale et triviale qu'il refuse de toute son âme fière. A mille lieues aussi du Bergman convulsif. Ici se lit l'affect intact, la science muette des plans sans paroles, la parole vivante d'un héros muet, les derniers mots ressuscités d'un martyr maigre.

Un dernier mot, pour éviter de conclure. Si Ordet est le premier chef-d'oeuvre de Dreyer, c'est peut-être, aussi, qu'il s'essaye pour la première fois au dialogue impossible avec l'ailleurs de la femme, dialogue poursuivi et conclu avec le génie que l'on sait dans l'oeuvre ultime du maître de Copenhague, l'inégalé Gertrud.

Louis SKORECKI

Um comentário:

bruno andrade disse...

- Identifiquemos os impostores!

- Identifiquemos os impostores, sim! O que me permite dizer que Lars von Trier é, parece-me, um impostor? Creio compreender muito bem como funciona esse rapaz: percebeu muito depressa, logo a seguir ao seu primeiro filme, que era brilhantíssimo, e sofreu com isso, que não era Dreyer e que nunca seria Dreyer, visto que o seu grande problema, parece-me, está na sua relação com Dreyer. Portanto foi preciso que continuasse a partir desse ponto, e foi-se tornando cada vez mais evidente, sobretudo a partir do fracasso de Europa - que efetivamente, e sem qualquer dúvida, é o filme mais aborrecido da história do cinema! Seguramente que não o pior mas o mais aborrecido! E desde o fracasso de Europa, a ter em cada um de seus filmes um gag, um gimmick: em Breaking the Waves era aquela câmera ziguezagueante, para Os Idiotas era o Dogma, e no próximo, já o sabemos, é Bjork numa comédia musical... tem que ser um truque diferente a cada filme, porque não agüenta mais do que isso; e von Trier é muito dotado, tem imenso talento e um grande virtuosismo. Em Breaking the Waves e Os Idiotas há momentos fortes, a última seqüência dos Idiotas é muito bonita, mas o que não funciona em qualquer dos filmes é, justamente, o filme: não há filme, só há bocados de filme. Para mim, é tipicamente o exemplo do cineasta que é dotado, esperto, inteligente, mas que o é demasiado. Um pouco como Polanski, mas ainda mais retorcido...

- É a diferença entre Lars von Trier e Dreyer na questão do milagre.

- Sucede que Dreyer acreditava em Deus. Digo isto com muitas aspas: se ele acreditava ou não acreditava estou-me nas tintas, mas os seus filmes acreditavam por ele, enquanto Lars von Trier é sem dúvida muito bom católico, muito crente e tudo isso, irá direitinho para o Céu, é o que lhe desejo, mas os seus filmes não acreditam no Céu nem por um segundo.

- Há algo de demasiado consciente naquilo que ele faz...

- Não há mais nada! Ele sabe tudo ao pormenor: não tem segredo nenhum, segredo nenhum, o infeliz! Está tudo na receita. Aliás, é por isso que funciona tão bem com os críticos e os espectadores: está tudo na receita, o que não é uma novidade, foi sempre assim, é a lei do teatro acadêmico do século XIX...

Diálogo com Jacques Rivette, por Hélène Frappat. Paris, 6 de janeiro de 1999, in La lettre du cinéma, nºs 10 (Verão 1999) e 11 (Outono 1999). Tradução: Luís Miguel Oliveira.

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