sábado, 18 de outubro de 2008

Independentemente do idioma em que faço um filme, é necessário que as minhas personagens falem como eu. Em ESTHER KAHN, falam inglês como eu o falo.

É isso, o propalado "cinema internacional".

E depois esse descarado ainda ousa mencionar Renoir, Rohmer e Straub em entrevistas.

15 comentários:

bruno andrade disse...

Com a cumplicidade de uma pseudo-crítica que tolera a insuficiência de suas propostas e a incoerência de suas declarações, uma crítica que - paradoxo dos paradoxos - curiosamente só age prudentemente, isto quer dizer de uma forma minimamente zelosa e com certo receio, quando se depara com a coerência e o rigor - talvez porque tais objetos ponham contra a parede a própria incoerência dos procedimentos de tal crítica.

R. Cavalo disse...

Dei uma lida superficial, deu-me a impressão que ele rejeita o teatro, e ficou claro que menospreza bastante o estúdio.

bruno andrade disse...

Existem cineastas grandiosos que desprezam espetacularmente o teatro - para ficar em dois favoritos, Godard e De Palma -, perfeitamente capazes quando assim exigidos de sujeitar suas preocupações a procedimentos teatrais, seja pelo assunto que tratam, seja por imperativos de abordagem (Godard em Forever Mozart, De Palma em Redacted). Questão de encenação, palavra que escapa a toda e qualquer preocupação que um trabalho como o de Desplechin venha a priorizar. Então esse não é o problema.

Alguns cineastas, dos maiores até - Rouch, Rohmer, mais uma vez Godard -, menosprezam o estúdio com resultados vivos,
estabelecendo a força da ficção no ambiente que melhor traz à tona sua veracidade (e Rohmer fará em determinado momento de sua carreira A Inglesa e o Duque, Godard se encerra entre o estúdio e o hotel para uma série de interrogações consecutivas que começa com Passion e passa por Prenome Carmen e Detetive, num momento crucial de seu cinema e também de todo o cinema, um momento em que é a própria matéria pelicular que está em jogo, e mais tarde mesmo à beira da extinção - extinção que imbecis como Desplechin adiantam). O que Desplechin faz na entrevista é t-shirt, é slogan, é vulgar. Então também não será aqui que localizaremos a deficiência de seu discurso.

A deficiência das declarações de Desplechin, deficiência perfeitamente corroborada por seus filmes, é simples de ser localizada: todas têm origem a partir de um erro enorme de compreensão por um intelecto incerto e vacilante. Desplechin leu a entrevista em que Daney diz: "In the theatre, there was still too much society, too much consensus", não percebendo, o imbecil, que Daney não falava do palco mas sim da platéia, da sala ("too much society"). Desplechin só fala pra bonito porque sabe que existe uma grande parcela de neófitos parisienses que aceitarão com inconsciência e delícia seu despojamento, sua irreverência de pacotilha. E é nesse espírito que segue cometendo suas excrecências, em que tantos se chafurdam.

bruno andrade disse...

Ah sim: parece que nesse último filme Desplechin faz muitas alusões ao teatro ou empreende uma busca por referências teatrais, isso pelo que pude ler pelo menos. Provavelmente porque, após cinco anos de Skorecki diariamente no Libération, a noção de teatro deve ter voltado a ser assunto nas rodinhas parisienses de discussões; e também porque ele queria poder dizer em entrevistas que fez seu Fanny & Alexander, uma vez que sendo um autor ele precisa continuar copiando descaradamente Bergman filme após filme - mencionando respeitosamente esse descaramento, é claro, em duas ou três linhas de uma entrevista.

(...)

Após tanto Desplechin fui na loja aqui ao lado da Lan House e comprei Caddyshack ("Hey everybody, we're all gonna' get laid!") pra me purificar de tanta safadeza. Salve Chevy Chase.

bruno andrade disse...

Alguns textos interessantes sobre o último Desplechin em particular e sobre seus métodos no geral:

http://www.chronicart.com/cinema/chronique.php?id=10955

http://slothorp.blogspirit.com/archive/2008/05/29/comment-j-ai-ete-cocu.html

http://cinecartaz.publico.clix.pt/entrevista.asp?id=72256

Anônimo disse...

Había ya detectado, con no poco estupor, algunos signos de desprecio hacia Desplechin, que hoy se tornan insultos muy poco matizados y menos explicados. Puede no gustar, incluso nada en absoluto, su cine. Llamarlo imbécil me parece lo que en España llamaríamos "boyeriano", es decir, el camino más veloz para perder la razón. Ni es cierto que a Godard no le interese el teatro (hasta tuvo un proyecto, "Pour Lucrèce", bien concreto, pero hay cien huellas... no tan expresas como en Rivette, ciertamente), ni estoy seguro de que lo mismo le suceda a De Palma tampoco. Pero Desplechin ha hecho un doble film apasionante sobre el teatro, "En jouant "En compagnie des hommes"" y su versión "Unplugged" de los ensayos. Lo que dice acerca de que los personajes hablan como él puede aplicarse a innumerables autores, empezando por Godard. Me parece una opción respetable, diría que lógica. Cuando no, si es inconsciente, natural. He leído y visto muchas entrevistas con Desplechin: me parece de lo más inteligente y sensato entre los cineastas de su edad. Y salvo "Un conte d'hiver" he visto todos sus films. Unos más y otros un poco menos, los encuentro magníficos, y veo en ellos poco soporte para precisamente los reproches que se le hacen aquí. Es un desagrado que respeto, pero que no logro no ya entender, sino ni siquiera vislumbrar. Serían más aplicables algunos de ellos al también magnífico Brisseau.
Miguel Marías

bruno andrade disse...

Então precisarei confiar mais em minha intuição que em minha razão, Miguel.

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De sua inteligência não restam dúvidas, visto que ele próprio não deixa margens para tanto, furacão citacional que se arma dos álibis mais irrefutáveis (nouvelle vague, psicanálise, cultura pop, estruturalismo), que faz uso de tudo o que de mais recente encontramos sob os holofotes e as lupas da inteligentsia parisiense (pressionado por ela, acaba por respondê-la utilizando das mesmas armas). E portanto é primeiramente de sua inteligência que desconfio: uma inteligência agradável, fácil, que busca conciliar tudo e todos: Straub com Truffaut, Coppola com Cassavetes, Godard com Tarantino; uma inteligência exibicionista, auto-demonstrativa, contorcionista, um malabarista do pensamento, cujo raciocínio repousa sobre lacunas gigantescas; uma inteligência irreverente, despojada, enérgica, que se ocupa demais de si mesma e, pelo menos concretamente, muito pouco de seu objeto (o cinema, os filmes). Se pelo menos Desplechin limitasse essa inteligência às suas declarações e entrevistas, seríamos poupados dos filmes sacrificados que tenta legar ao cinema. Não é esse o caso.

Na medida do possível busquei trazer Godard à discussão, e não por acaso. É uma das supostas referências de Desplechin - isso se levarmos em conta suas declarações. Os jargões, a linguagem vulgar, o palavreado, os personagens neuróticos e impetuosos, a provocação, tudo está supostamente lá. Está? A linguagem jargonística que Godard trouxe aos seus filmes, presente já em seus escritos sobre cinema e em suas declarações, em Desplechin não parece mais que um capricho, um aceno para os exegetas de Roland Barthes e Lacan. Os xingamentos, os insultos, a linguagem vulgar que Truffaut e Godard (e Chabrol) usavam instrumentalmente para ferir uma correção gramatical que repudiavam em certos filmes franceses, em Desplechin ressurge como recurso desesperado de choque do espectador, ferindo nada mais que o conhecimento prévio que este detém sobre aquela. Os adolescentes neuróticos, os intelectuais impotentes de Godard, livres de si mesmos e ainda assim dilacerados por todas as suas deficiências, não vejo que parentesco estes podem ter com os personagens de histéricos entorpecidos e dopados, articuladores de pequenas traminhas familiares e neuroses coletivas, monstros complacentes, que Desplechin manipula exatamente como um demiurgo a suas criações.

bruno andrade disse...

É desta forma que vejo Desplechin abordando o teatro em En jouant 'En compagnie des hommes': o teatro como assunto, seus monstrinhos pitorescos, seus rituais transitórios, as tramóias e os comportamentos excessivos, tudo o que lhe é externo; seus limites em suma. Jamais o teatro como matéria, substância alquímica que a realização converterá em cinema (como em Rivette e Oliveira e contrariamente a Godard, que tem uma relação mais contemplativa com o fato teatral, o personagem posto contra uma parede que substitui o palco, Belmondo em Pierrot le fou por exemplo, como se o que estivéssemos vendo fosse o outro lado de uma câmara obscura, a la Paradjanov). Enquanto um Preminger ou um De Mille prolongam essa alquimia teatral interiorizando-a nas almas de seus personagens (Laura, Whirlpool, Saint Joan), geralmente a ambição mais digna dos cineastas que fazem do teatro sua matéria, Desplechin atém-se ao que é crispado, acessório, ornamento, decorativo, convenção. É como se estivéssemos vendo L'amour fou refeito por um adolescente impávido, sem a conquista da verdade do ator pelas vias da intimidade, como vemos constantemente nos filmes dos verdadeiros grandes cineastas (Dreyer, Ozu, Dwan, Mizoguchi, Brisseau etc.).

E é talvez isso o que mais repreendo em Desplechin: o que seria do cinema se Ford fizesse com que Ben Johnson, Duke Wayne, Andy Devine, Will Rogers falassem como ele falava? Se Godard não tivesse aceito ou insistido trabalhar com Palance, Lang, Moll, László Szabó (que lá está em Esther Kahn, falando o inglês que Desplechin fala), Burgess Meredith, Bardot? Como pode um cineasta que diz depender tanto do ator ser tão pouco fiel, confiar tão pouco na matéria da qual impinge seu trabalho? Pois o que rechaço em Desplechin é justamente isso: essa sensação de sufoco, essa impaciência, a necessidade de nivelar tudo a um mesmo e único tom de desequilíbrio coletivo, uma instabilidade que em momento algum é reforçada por uma superfície, a ausência de palco, essa aceleração cinética que faz com que a epiderme seja contraída pela câmera, a sideração e nada mais. À recompensa que Rossellini descobriu quando decidiu "seguir um ser, com amor, em todas as suas descobertas, todas as suas impressões", Desplechin nos sugere um espetáculo de ventriloquismo.

ALANA disse...

Não me chuta!

bruno andrade disse...

Ontem revi trechos de Planeta Terror, e as dúvidas se dissipam: à inteligência "ao gosto do freguês" de Desplechin, prefiro a brutalidade eufórica, contagiante de Rodriguez (apesar de seu Sin City ser uma catástrofe). Se há cineastas trabalhando o ator - e, no caso particular de Rodriguez, sempre um grupo, uma trupe - de tal forma a extrair de todos suas parcelas individuais de talento e de cada um seu talento mais singular, mais raro, estes serão Rodriguez no cinema americano recente e Stévenin no cinema francês recente.

alana disse...
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Anônimo disse...

Es inútil continuar una discusión si ni siquiera arranca; pero veo que hay un odio agudo - que puede ser instintivo e inevitable - hacia Desplechin, como revela la proliferación de epítetos y adjetivos, todos negativos, "como un torrente". Podría comprender que se acusara a Desplechin de tímido o soso... como ejemplo de pedantería "intelectual" parisina se me antoja bien poco representativo. Para colmo, todo parece basarse, más que en las películas, en algunas entrevistas que yo no he debido ver, y a saber si hechas por idiotas y respondidas por compromiso, o si están o no fielmente transcritas (mi experiencia es que lo que sale poco o nada tiene que ver con lo que uno dijo). No veo ni que Godard sea una referencia (más bien parece pro-"Truffaut"), ni en sus películas ni en sus declaraciones. No recuerdo alusiones a Straub, menos aún que lo ponga como modelo (y ciertamente nada tienen en común). Tampoco conviene tomarse muy en serio las declaraciones de los directores, acabaríamos desconfiando o renegando de todos: entre mis favoritos, Godard ha dicho muchas arbitrariedades injustas, Straub tremendas (¡Rossellini en bloque "innoble"!), Rivette no menos... a fin de cuentas, no es su oficio opinar del cine ajeno, ni siquiera para los ex-críticos.
Pero si a uno le sube el pulso ante la mera mención del nombre de un cineasta, y no consigue hallar en él nada tolerable, más vale reflexionar y tratar de averiguar la razón de que sintamos esa alergia. A veces el resultado es interesante. Y a veces hasta desaparece.
Miguel Marías

bruno andrade disse...

É certamente uma discussão um tanto "sacrificada", ao menos para mim. Mas há certa recompensa na medida em que posso falar abertamente o que penso.

Ao menos com Straub, Rivette, Godard, há rastros, indícios de uma relação coerente com o que fazem, com suas concretizações, com aquilo que buscam contínua ou perenemente, e no caso de Rivette e Godard em particular um prosseguimento de seus trabalhos críticos, pelo menos em determinadas ocasiões.

Os Inrockuptibles, uma revista que desprezo irremediavelmente, composta majoritariamente pelo público ideal dessas boutades Desplechinianas, há alguns anos fez um n° especial Esther Kahn, que era nada mais que um verdadeiro espetáculo de egolatria da parte de senhor Desplechin: uma absurda "nota de intenções", seguida por um texto onde Desplechin discorria sobre os filmes de sua vida (onde víamos a descrição de Esther Kahn como um cruzamento de Crônica de Anna-Magdalena Bach com L'enfant sauvage e os filmes históricos de Rohmer), ambos portanto escritos por ele sozinho, como cartas à edição, sem nenhum interlocutor a não ser ele próprio. Tudo isso estava disponível na web, infelizmente já não é. Mas para ser honesto, essas coisas vejo como frivolidades, afirmações de ego, e freqüentemente me interessam muito pouco (a não ser que seja um Straub, um Costa, um Brisseau, que efetivamente falam do seu trabalho e da relação concreta deste com o restante da produção cinematográfica): o que acho interessante é como essa confusão mental que Desplechin já demonstra em entrevistas - e é primeiramente essa confusão mental que acho que acaba por aproximá-lo mais de Godard que de Truffaut, apesar de entender e concordar que Truffaut é uma referência mais próxima, apesar de não menos abstrata - é convocada e por fim disposta (de forma exaustiva e nem um pouco sistemática) em seus filmes (Godard geralmente - o que faz com que eu esteja dizendo "nem sempre" - busca se desembaraçar desta confusão no desenrolar do filme, no interior do mesmo, algo que talvez ele só tenha conseguido de fato uma única vez em toda sua obra, provavelmente em Passion). O que vejo também, mais próximo de Godard que de Truffaut, é um certo voluntarismo, uma certa necessidade de se fazer central, acumular pontos de referências, de forma a provocar discussões e chamar atenção a si próprio. Apesar de ser um dos traços de Godard mais repreensíveis, dos menos interessantes, é algo que encontramos freqüentamente em seus filmes; mas há uma diferença crucial, um ponto nodal onde Desplechin contorciona Godard através de Truffaut: no que Godard exige uma relação instável - entre a repulsa e a adesão, entre a negação e a aceitação -, Desplechin pede uma adesão irrestrita, uma reconciliação ideal, pois afinal de contas precisamos que amar aqueles pobres humanos, pois neles nos "reconhecemos", tão cheios de conflitos, tão imperfeitos "como nós mesmos e o próximo". Eu poderia falar de chantagem, e é provavelmente disso que se trata mesmo - e é por isso que o tenho como o Spielberg das salas de arte.

Onde finalmente Desplechin se separa tanto de Godard quanto de Truffaut, é que enquanto os personagens de Godard machucam a si mesmos quando tentam machucar outros e os de Truffaut são compelidos à auto-destruição, machucam sobretudo apenas a si mesmos, os maníacos que Desplechin filma machucam majoritariamente uns aos outros. Assim a médica interpretada por Deneuve em Reis e Rainha, a carta lida por Maurice Garrel no mesmo filme, os personagens de Todeschini em A Sentinela e de Fabrice Desplechin em Esther Kahn... Tantos exemplos que é melhor encerrar.

Um sujeito que confunde o que Cassavetes, Eustache, Truffaut, Stévenin e Pialat fizeram com um cinema firmemente fincado numa tradição de rituais constantes de humilhação, este sujeito dificilmente ganhará minha simpatia. Que esses rituais desagradáveis sejam manifestados por uma retórica pretensamente inteligente e perfeitamente logorréica - uma retórica que vem conquistando platéias mundo afora, não restam dúvidas - não é o menor vestígio de uma arte exaustiva e prolixa.

bruno andrade disse...

A bem dizer, é uma "tradição" (uso proposital dessa palavra) do cinema francês que me interessa muito pouco, que confunde Pialat e Eustache por "naturalismo", e cujos principais avatares são na realidade provavelmente Téchiné (de cujo HOTEL DAS AMÉRICAS gosto muito) e Jacquot. Não gosto desses cineastas cinéfilos que têm medo ou má-consciência do que compõe suas cinefilias, um cinema muito bem representado por Desplechin, Assayas, Kechiche, Cedric Kahn, Hansen-Love, Ferreira Barbosa etc. etc. Me tocam muito mais o lirismo noir de Alain Cuny e Garrel, para não falar em desbragados como Brisseau e Breillat, as contrações fortes que vemos em Pialat, Carax, Guiraudie, o hieratismo de Rivette, Eugene Green, as fanfarronices de Chabrol etc. Os outros me parecem adolescentes querendo brincar de adultos.

Anônimo disse...

Quizá habría que debatir un día, desde fuera de Francia, el verdadero valor del cine francés del último medio siglo, demasiado condicionado por la capacidad de "lanzamiento" de los franceses y su chauvinismo, y por los amores y fobias (tal vez interesados) de "Cahiers". Cierto que confundir Pialat o Eustache con el naturalismo es un error (frecuente), y que el cine francés sigue siendo más variado de lo que ellos mismos piensan; sin embargo, temo que entraríamos, caso a caso, en una discusión poco productiva. Me sorprende un poco que no menciones (ni a favor ni en contra) a Resnais, Demy, Claire Denis, Danièle Dubroux... me sonaba que detestabas "Tout est pardonné" (que yo encuentro magnífica), y creo recordar algún comentario despectivo hacia Pascale Ferran; también soy mucho más "godardiano", por lo que veo (lo que no me impide que algunas películas me irriten y muchas cosas que ha dicho me parezcan indignas de su inteligencia). No me convence mucho lo visto de Giraudie, E. Green me parece prometedor, Kechiche no lo veo nada representativo de ningún vicio cinéfilo, Kahn, Téchiné, Assayas o Jacquot me parecen muy irregulares, hace tiempo que no me interesa (al principio mucho) Breillat. Carax es el equivalente francés de Cimino, uno de los grandes condenado al silencio (algo parecido se intenta contra Brisseau). No tengo la costumbre de leer Les Inrocks, así que me perdí los textos promocionales de Desplechin que tanto te sublevan, pero lo leído no se asemeja nada a lo que dices de él. Podría entender reservas, o que unas te gustaran y otras no, pero un rechazo tan global me resulta sorprendente en extremo. El tiempo dirá, supongo. La gente destructiva que muestra existe, y hay que tener cuidado con ella; pueden incluso ser amigos que piden ayuda, no se dejan ayudar y te hunden. Sospecho que corresponde a su experiencia y a su visión (que no tengo que compartir).
Miguel Marías

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