sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Vocês já viram um filme onde nada, absolutamente nada acontece?

Provavelmente não, a não ser que já tenham visto Wichita.

Mas o que exatamente é o nada, quando nele encontramos apenas tenacidade, quando ele nos devolve apenas aquilo que é incessante, impetuoso, robusto e surpreendente? Esse nada, neste caso, é nada mais que um outro nome para "invenção" - e este nome, apenas um sinônimo daquilo que comumente chamamos de "gênio".

Pois que fique claro, de uma vez por todas, porque insisto em repreender Scorsese: seus filmes não tratam de outra coisa senão do rechaçamento sistemático, da ausência obsessiva desse "nada" - um nada sem o qual toda uma fração do cinema (siderantes, Nova Hollywood, Parisienses que não saíram do La Fémis, intelectuais hipocondríacos, orientais contemplativos, I'm Not There) torna-se repentinamente insignificante.

Agora, se me dão licença, sairei à cata desse nada - provavelmente devo encontrá-lo em algum Dwan (Cattle Queen of Montana é repleto), em Two Road Together, num Ulmer esquecido, talvez também num Rivette ou em algum filme de exílio do Glauber.

3 comentários:

bruno andrade disse...

Também provavelmente encontro esse nada em algum episódio de Two and a Half Men.

Evandro Duarte disse...

E nos extas de Ed Mort em quem matou Romeu e Julieta.

Anônimo disse...

Se anuncia DVD español de "Wichita", gran film a contrapié del género
Miguel Marías

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