quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

De volta ao contemporâneo, ou da revisão de alguns Chabrol da grande safra 68-71.

O que esses filmes mostram - como nos mostraram nos últimos anos Coisas Secretas, O Princípio da Incerteza, O Sonho de Cassandra, A Hora da Religião, Os Náufragos da D-17, Os Indigentes do Bom Deus e Terra dos Mortos - é que um cinema que se quer profundamente enraizado no contemporâneo sem acabar enredado pelos artifícios da complacência (i.e. Demonlover), do conformismo (i.e. I'm Not There) ou da demagogia (i.e. A Hora do Show, Plano Perfeito, Os Infiltrados), é antes de mais nada e acima de tudo um cinema virulentamente contemporâneo.

« (...) Pour lui, la bonne société est un repaire de crapules et d'infâmes hypocrites, alors que les bas-fonds peuvent receler, à l'occasion, d'immenses trésors d'indépendance, d'honnêteté, d'audace et de courage à proclamer la vérité. Ce qui équivaut à remplacer l'ancien schématisme par un schématisme beaucoup plus virulent (en tant que schématisme), beaucoup plus contraignant et étouffant pour les personnages, et qui devient aussi le cadre idéalement propice à l'exaltation de leur dégoût et de leur haine du monde qui les estoure. »

Jacques Lourcelles sobre Samuel Fuller

Journal de 1966 in Présence du Cinéma n° 24-25, outono 1967

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