terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Revendo uns trechos de Rendez-vous ontem, filme desequilibrado, extravagante, cheio de fraturas (antes da entrada do Lambert Wilson em cena devem ser pelo menos umas cinco a cada 15 segundos - humor desprezível e francamente dispensável, reflexos extremamente vulgares na interpretação da Binoche como a camponesa recém-chegada à cidade etc.), com um roteiro ordinário escrito a toque de caixa, que progride a base de facilidades integralmente grosseiras (personagens sórdidos, miserabilismo moral, psiquismo estorvante, masoquismo emocional); e no entanto a aspereza, a fisicalidade que detém a atenção de Téchiné, um temperamento rude e persistente (o de Téchiné) que a câmera recebe como uma pancada e que acaba por alcançar essa proximidade (não é o caso de se falar de intimidade - não aqui e menos ainda no caso deste cineasta) ideal do ator, tudo isso garante ao espetáculo desacordado uma certa nobreza inesperada, uma gravidade que na falta de uma respiração mais ampla é alcançada através dos movimentos desordenados de corpos ofegantes.

E acreditar que já houve uma época - a desse filme, por exemplo - em que da produção francesa se destacavam com facilidade uns cinco filmes assim, uns quatro ou cinco bons exemplares da linha Deray-Corneau e uns dois ou três capazes de aspirar alturas realmente grandiosas (L'Argent, Aos Nossos Amores e Un jeu brutal em 1983, por exemplo).

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