segunda-feira, 27 de abril de 2009



Se Ford está para Brecht, então Dwan está evidentemente para Nietzsche e A Origem da Tragédia.

6 comentários:

Evandro Duarte disse...

E Hitchcock está para Shakespeare?

bruno andrade disse...

Welles tá pra Shakespeare, né?

Evandro Duarte disse...

Concordo. Mas daí o velho Hitch estaria para quem?

Rodrigo disse...

Eu penso que Ford está mais para a tragédia, e Hitchcock mais para Brecht, em se analisando toda a questão de dispositivos, e de sugestão e indução. O que em Brecht, equivocadamente, acredita-se não haver - ou estar remediado (este poder de sugerir e induzir).

bruno andrade disse...

O Ford trabalha com tragédias - o que Brecht também fazia, aliás -, mas ele não as adensa, ele não "implica o espectador no drama" - e é por isso que é muito mais justo dizer que seu cinema é a culminância de um cinema contemplativo, pois é isso o que fazemos quando vemos um de seus filmes: contemplamos tragédias, peregrinações, peripécias, e todo o inventário poético do Aristóteles. Resoluta, implacavelmente moderno - é isso o que até hoje fazem os cineastas que mais se orientaram rumo à modernidade, de Rivette a Hou.

Hitchcock, como Preminger, está mais para os lados de Pirandello, e não pra Brecht. Não tem como implicar o espectador mais que nos filmes do gordo.

Rodrigo disse...

Não implica o espectador no drama até que ponto, que no caso da tragédia, implica? E em quê a tragédia se mantém longe da contemplação? Brecht vinha com o papo de que a catarse fazia as vêzes desta "implicação" do espectador no drama, mas a mim, Brecht implica tanto seus espectadores no seu discurso ideológico quanto Hitchcock, Preminger e Pirandello em seus espetáculos.

É certo tudo o que você diz, mas há esses detalhes que, pense bem Bruno, a questão de Brecht, e a questão da tragédia, da peregrinação. Pense em Édipo em Colono, não há catarse aqui. E, bem, não vejo maior figura de distanciamento do que o coro.

No cinema se dá o aperfeiçoamento desta arte da contemplação, mas na esfera do teatro, é na tragédia que vamos encontrar o que mais próximo se pode chegar disto.

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