quarta-feira, 10 de junho de 2009



A Erva do Rato é do caralho.



Até o Selton Mello tá bem.

3 comentários:

Maria Rita disse...

curiosa esta observação. no mínimo. o cineasta autor depois dos anos de despotismo faz sua redenção na equipe, e leva junto o pato da moda da academia. Só a trama pertence a ele: e eis que chama ao palco o roteirista: não é mais do que um gerente um cineasta, um bom e generoso gerente? De Cleópatra cinema instalação poderia dizer Bressane é do caralho e que quero ver o filme, mas esse papo aí de não é meu não deve estar no contracheque.

Lucian disse...

É legal como esse filme tem uma leveza que é quase boba junto com um rigor que só a idade parece trazer.

bruno andrade disse...

E nisso (uma leveza que é quase boba junto com um rigor que só a idade parece trazer) - e não só nisso - ele lembra muito Oliveira e os Fuller tardios.

Curioso: já eu acho bonito ver um déspota capaz de reconhecer o esforço, o trabalho e o resultado deste esforço no trabalho de seus vassalos. Quanto ao contracheque... Olha, após anos de contribuição ao cinema brasileiro, devia ser o mínimo: Bressane devia receber como um funcionário público, mas infelizmente estamos no Brasil e eu não desejo essa sorte (?) pra ele. No mais, quanto ao fato dele ser ou não um déspota (e os melhores filmes do mundo foram realizados por três deles: Otto Preminger, Fritz Lang e Cecil B. DeMille - que também dirigiu um Cleópatra em 1934), quanto ao gesto tardio de humildade (e como bem nos lembram Fritz Lang e Bertolt Brecht, Os Carrascos Também Morrem), quanto à existência ou não de um contracheque (e acho que essa não-existência já deve ter sido bastante freqüente à vida de Bressane) (lembrando também que os melhores filmes do mundo foram realizados por pelo menos três grandes gerentes - Preminger, DeMille e Pagnol - e diversos funcionários - Walsh, Lang, Dwan, Tourneur, Guitry, Mizoguchi), isso tudo honestamente não me parece afetar o resultado concreto, material, fotoquímico da película.

E para mim, tá pau-a-pau com Cleópatra - sobretudo o miolo, que não sofre de uma ostentação figurativa e retórica que pesa sobre o ritmo do anterior, oprimindo a respiração de algumas de suas cenas. A Erva tem suas deficiências - deve tê-las, enfim... -, mas tem também uma respiração mais igual e bem distribuída, que parece capaz de acolher e absorver essas deficiências. Uma superfície idealmente lúgubre e porosa após a opacidade opressiva de Cleópatra.

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