segunda-feira, 1 de junho de 2009

This “new disconcerting relationship” between gesture and character is often explained as a precursor of Antonioni’s intense contemplations of modern alienation and neurotic identity. But it was in reaction to such themes that Rossellini campaigned for years against Antonioni’s movies as utter abomination. Antonioni’s existentialism is psychological and post-modern; Rossellini’s is Catholic and Romantic. Antonioni is subjective: the world outside his characters radiates their subjectivity impressionistically; Rossellini’s equally subjective characters always find themselves colliding with an objective reality that is stubbornly other than themselves and anything they can imagine. We have traced his “disconcerting relationship’s” evolution from the first glimmerings of existential isolation in La nave bianca, Un pilota ritorna and Desiderio through Una voce umana’s “individual captured, put under the microscope, [and] scrutinized to the core” and Il miracolo’s and Stromboli’s relentless tracks. Always a “disconcerting something else” haunts our heroes. Rossellini’s minimal direction of actors—his tendency to structure their environment rather than their characterization—had resulted in the “global” non-interpretations that so pleased Ayfre. Nonetheless his art lay in our sense that characters were not mannequins but true individuals. Their “signs” always indicated desperation, yearning, inner voids that, frighteningly, could evidence that our own selfhood is nothing but self-delusion socially conditioned. And wasn’t this at least partially true of Roberto’s self? Self and society, mutually dependent in their dialectic, one guaranteeing the other, seem sometimes merely idea and ideology: no amount of verbiage from philosophers, priests and politicians can anchor them. For that anchor, Rossellini’s heroes require experience so intense as to seem personal revelation. His new society requires the new man, who can be produced only when so reduced to desperation, so stripped of sustaining social and ideological props, that Reality — the “disconcerting something else” — at last overwhelms all defenses. It is tempting to see Voyage in Italy as an experiential paraphrase of Gerard Manley Hopkins’ phrase, “The world is charged with the grandeur of God.” Roberto’s oftprofessed claim, in his late years, that he had never believed in God, is perhaps less a brag of atheism than a confession of anguish by a man who, like Irene, wants to believe, questions his sincerity, and concludes that he does not have the faith that moves mountains, and who yet is overwhelmed midst his efforts to be rational.

(...)

Comenius stood open on his desk. “Principles are derived from the nature itself of things.” The lousy review of Roma città aperta was still in Roberto’s pocket.

Tag Gallagher, The Adventures of Roberto Rossellini, Da Capo Press, 1998

7 comentários:

Anônimo disse...

¿De verdad os gusta esto? A mí me parece palabrería embrollada, que habla y habla sin decir realmente nada.
Miguel Marías

bruno andrade disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
bruno andrade disse...

Sério Miguel? Realmente acho o Gallagher um dos melhores críticos da atualidade. A prosa dele lembra um pouco a do Mourlet - inclusive só fui entender mais detidamente o conceito de "encarnação" que o Lourcelles menciona a respeito de Rossellini lendo as páginas clarividentes do 'Adventures of Roberto Rossellini':

(...) “new disconcerting relationship” between gesture and character; Rossellini’s equally subjective characters always find themselves colliding with an objective reality that is stubbornly other than themselves and anything they can imagine; Always a “disconcerting something else” haunts our heroes; Their “signs” always indicated desperation, yearning, inner voids that, frighteningly, could evidence that our own selfhood is nothing but self-delusion socially conditioned; a confession of anguish by a man who, like Irene, wants to believe, questions his sincerity, and concludes that he does not have the faith that moves mountains, and who yet is overwhelmed midst his efforts to be rational; “Principles are derived from the nature itself of things.”Essas palavras me parecem tão pungentes (até mesmo assertivas) e sem rodeios, sem floreios.

Anônimo disse...

Totalmente en serio. Lo encuentro tan insoportable y vacío de sentido como tú al pobre Desplechin, por ejemplo. Dice cosas - afirma y no razona, menos aún demuestra - cosas que no quieren decir nada. Vaguedades, boutades. No veo el parecido, ni suponiendo que ciertas cosas que cabe decir en francés sean posibles en inglés. Entre el Gallagher de "Ford" y el de "Rossellini" hay una fisura, una brecha. Y lo que escribió hace poco sobre Fuller ("Senses of Cinema") me parece del todo tópico y lamentable, como el libro de Lisa Dombrowski, radical incomprensión de Fuller.
Miguel Marías

bruno andrade disse...

Acho que chegamos no ponto crucial: o que me interessa na crítica é justamente essa parte assertiva, afirmativa (eu chamaria de "positiva" em contrapartida à parte "expositiva"), o momento em que o crítico consegue fazer com que chegue ao seu leitor uma sugestão, um perfume ou o que quer que seja da intensidade do tom do filme. Na crítica de cinema, é uma arte rara e cujos representantes imediatos vejo quase todos ligados ou relacionados de uma forma ou de outra ao que se chamou de MacMahonismo (Mourlet, Lourcelles, Agdé, Bernard; já nos Cahiers foi Douchet, Demonsablon, Rivette, Richard Bré, mais tarde Biette e Skorecki). Eu acho que o trabalho que Gallagher faz com os frame-grabs, um trabalho admirável e a meu ver sem comparações, nos textos sobre os Straub, Costa, McCarey, em todos os seus escritos enfim, permite que ele vá mais diretamente a essa parte "positiva", mais incisivamente (talvez, e talvez seja isso que desagrade alguns, mais insolente, mais brutalmente). Acho que, para um crítico, ele encontrou a forma mais direta de lidar diretamente com a própria matéria da crítica. Talvez daí esse lado "pungente" de cada palavra, cada frase. Ele pode não ter um arrojo que você percebe em Lourcelles ou o preciosismo sóbrio e seco de Mourlet, mas a mim parece que ele almeja coisas semelhantes. Um dos textos dele, e na minha opinião um dos melhores, Narrativa contra Mundo, lembra muito os textos-manifestos do Mourlet. Mas enfim, o debate segue...

Anônimo disse...

Más acercaría Rohmer, Barbet Schroeder y Daney - siempre EN PARTE - que precisamente Rivette, y no olvidaría a Rissient entre los Mac. No veo ninguna relación con Tag, que supongo que se quedaría asombrado (tal vez aterrado) de la menor asociación con Mourlet o "Présence". Se puede ser asertivo, en conclusión, como consecuencia de un razonamiento o una teoría, no soltar frases más o menos circulares que no dicen gran cosa (a veces porque todo cabe) y sin base. Que las fotos estén más o menos bien escogidas no lo niego. Pero no, hace años que no consigo creerme nada de lo que leo de Gallagher; y si hago un esfuerzo y me lo creo, no le veo el interés, a veces me parece una invención caprichosa. Por ejemplo, El fragmento que citas sobre Rossellini me parece enteramente una falsificación, una "travesty" cuya razón se me escapa.
Miguel Marías

bruno andrade disse...

Acho que o Rivette tem, em textos como os que escreveu sobre Beyond a Reasonable Doubt, Hawks, Rossellini, Preminger, enfim, ele tem essa característica tão típica dos mac-mahonistas que é a de tentar explorar, identificar e se possível (o que não é, nunca é possível - essa é uma das maiores graças da crítica) situar o segredo de fabricação de um filme, de um autor, de uma cena, da mise en scène etc. No Daney, como no Rohmer, existe um moralismo, uma necessidade constante de relacionar dos fenômenos suas causas e efeitos, que de certa forma prima sobre a tentativa de perceber o mistério do êxito do filme. É por isso que não os relaciono... Mas, curioso: é sintomático que Daney odiasse os filmes de Brisseau, justa e provavelmente o último grande cineasta da fascinação mourletiana, enquanto Rohmer (que produziu todos os seus primeiros filmes) e Rivette (que homenageia Un jeu brutal em La bande des quatre) foram arrebatados pelos seus filmes desde os primórdios. Os textos de Rissient sobre Losey e Edwards são exemplos perfeitos de toda a abordagem mac-mahonista da crítica, sem dúvida.

Mas, voltando ao Gallagher, ele também me parece procurar por um segredo cuja enunciação é extremamente difícil e dificilmente acessível. Tudo o que ele escreve me parece ir na direção da exploração dessa busca, de uma pesquisa mais ou menos arriscada da disposição harmoniosa, aguda ou grave, de cada filme, de cada autor. Há um lado de "aventura", para roubar o título do livro sobre Rossellini - como eu disse antes, ele arrisca, e há decididamente algo de insolente (o que acho muito saudável, por sinal) em tudo o que escreve.

Sobre a pertinência do que ele escreve, a seguinte passagem me parece lapidar, intocável: "This 'new disconcerting relationship' between gesture and character (...)" De Stromboli a Medo é exatamente isso o que vemos, não mais num estado embrionário mas numa clareza luminosa do gesto que designa essa nova relação desconcertante. E tendo em vista o seguinte: "His new society requires the new man, who can be produced only when so reduced to desperation, so stripped of sustaining social and ideological props, that Reality — the 'disconcerting something else' — at last overwhelms all defenses.", como não pensar nas conclusões de Stromboli e Viagem à Itália, no todo de Francisco, Arauto de Deus?

Miguel, posso lhe pedir para entrar em contato comigo por e-mail? Agradeceria desde já. Meu endereço: profondorosso83@hotmail.com

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