sábado, 18 de julho de 2009

Apresentação: Aprendizado Da Liberdade

O cinema - "arte das evidências enganosas" - nasceu com a criação do homem, quando este cedeu uma costela à mulher, evoluiu com o mito platônico da projeção na caverna, ao ampliar a imagem e semelhança divina na consciência ancestral que desembocou no teatro de sombras chinesas onde alcançou o seu esplendor criativo, influenciando-nos irremediavelmente.

Espalhou-se da Ásia para Europa graças ao empenho de mágicos e ambulantes andarilhos percorrendo feiras circos e quermesses. Não era, ainda, o cinema, com a carga de mesmice e redundância mal feita hoje, mas algo mágico que o prefigurava e o antecedia com maior força do que mídia atual, sob o princípio da decomposição e composição do movimento a partir de imagens-fotogramas fixos.

Só foi conhecer sua forma atual, a perfuração e o formato 35 milímetros, com Emile Reynaud, o genial mágico e empresário do Teatro Robert Houdini (que passaria às mãos do não menos genial, o incomparável e soberano Georges Méliès). Em pleno século das luzes, a invenção, provindo da fotografia conjugada à projeção de lanternas chinesas, envolveu fotógrafos, químicos, físicos, artistas-inventores, artesões mecânicos e industriais que a transformam na máquina de produção-reprodução através do desenho, e patenteadas graças à esperteza do feiticeiro de Menlo Park - Thomas Alva Edison - e do fundador da Kodak, George Eastman, criador do suporte em acetato.




Rogério Sganzerla, Por um Cinema Sem Limite, Azougue Editorial, 2001

2 comentários:

Evandro Duarte disse...

E tens a mesma opinião sobre o Méliès que o Sganzerla?

bruno andrade disse...

http://dicionariosdecinema.blogspot.com/2009/07/le-voyage-travers-limpossible-1904.html

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