domingo, 5 de julho de 2009

E-mail que mandei ao Sérgio após assistir La truite.

Vai me desculpar, mas é um filmão.

Losey + anos 80 + Moreau chorando no táxi + Japão + Roger Vailland + previsão incrivelmente adiantada e bem desenhada da contiguidade entre as crises morais e econômicas que as principais sociedades do séc. XX atravessarão no término deste, relação essa que irá determinar a decadência dessas sociedades nos anos que seguiram ao filme, decadência essa que ainda hoje segue (talvez até mais forte do que nunca - um filme extremamente atual)...

Muito perto de ser uma obra-prima; Losey errou a mira por três ou quatro cenas desnecessárias (porém não pesantes ao restante do filme) e duas ou três cenas ruins (e ainda assim, uma ruindade que a maioria dos cineastas de hoje
deviam, por simples etiqueta e respeito ao métier, aspirar).

Primeira vez que eu entrevi num filme a possibilidade de um cinema eletrônico aparentado ao Mizô.


E desafio qualquer pessoa a mencionar um único filme francês (e não precisa ser só francês não) desta década mais contundente, mais lúcido, mais presente e mais atuante sobre os tempos em que vivemos. Como todos os grandes cineastas, Losey nos lembra o óbvio: não basta (e, aliás, é o que mais deve ser evitado) ser atual, permanecer restrito aos limites estreitos da contemporaneidade; é necessário ser profeta, e para isso é necessário ver mais longe - no nosso passado, por exemplo, se assim for necessário (só para me contradizer, ofereço aqui três apontamentos, todos dessa década: O Signo do Caos - Um Filme Falado - Coisas Secretas).

Um comentário:

bruno andrade disse...

E é um filme incrivelmente jovem - isto é, no bom sentido do termo...

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