sexta-feira, 3 de julho de 2009

Viram a menção ao Desplechin no editorial, esse verdadeiro santo-padroeiro da complacência intelectual que acometeu o Cahiers?

Nada de mais previsível, uma vez que a editoria Frodon/Burdeau foi basicamente um prolongamento teórico do tipo de cinema que Desplechin fez, e do tipo de idéia que gente como Desplechin faz do cinema. Não sei nem se é o caso de falar que essas duas práticas se completam - acho mais justo falar de conluio, de máfia, de cartas marcadas, tapinhas nas costas e panelismos mesmo. Ou então disso aqui.

O irônico é pensar o que Daney falaria dos filmes de Desplechin se pudesse tê-los assistido, e o que Daney teria falado de 99% do que causou frisson nas páginas do Cahiers nessa década. Ou ainda o que teria pensado sobre a falta de qualquer menção à retrospectiva integral, ocorrida há 5 anos atrás, da obra do Sganzerla em Turim, ou sobre o silêncio ininterrupto da revista a respeito de dois dos quatro maiores cineastas contemporâneos - Eugène Green e Jean-Claude Rousseau.

E ainda chamam esses patetas, Burdeau e Desplechin, para falar de Daney naquele espetáculo circense que chamaram de Criticism in Crisis - como se uma crise iminente da crítica não estivesse diretamente relacionada aos critérios presentes da mesma.

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