sábado, 5 de setembro de 2009

sur melville

O impressionante é que Skorecki escreve sobre cinema praticamente uma vez por ano, sobre filmes feitos há mais de 40 anos, e ainda assim quando escreve alguma coisa consegue ser mais pertinente e atual que simplesmente TODA a crítica de cinema que se produz hoje em dia.

5 comentários:

Anônimo disse...

Siento discrepar completamente. Aparte de que a Skorecki, de escribir en "Libé" demasiado, y sobre cine visto en TV, le dejó de gustar todo, y encima se le contagió la manía de hacer chistes (encima, malos, nada ingeniosos, de fallida pretensión irónica) de los críticos americanos, por lo que es lógico (hizo bien) que se dedique a hablar de cantantes, y no celebro que vuelva a las andadas para intervenciones tan poco oportunas, es falso el "argumento persuasivo" que emplea: no es verdad que haya cambiado de actitud, sino que, por el contrario, sigue en el mismo apriorismo anti-Melville (compartido hacia 1965-1978 por Daney, Godard y todos) que le llevó a ni siquiera ver la película, para colmo (a mi modo de ver) una de las mejores de Melville. Ni lo que dice Skorecki (mucho mejor cuando firmaba Noames, y brevemente, ya como Skorecki, cuando Daney rescató a "Cahiers" del desierto maoísta, hace 35 años o así) ni el comentario de mi admirado Pierre Léon me parece que se basen en la realidad, sino en manías, como pruba el discurso abstracto (y tramposo, además de antiguo) del cine y la vida, que dejo a los Truffaut y émulos (estos sí que son peligrosa y falsaria legión, aunque F.T. no tenga la culpa, por ciero no más que J.-P.M. de sus pretendidos idólatras). La afición a las frases lapidarias y maximalistas es una enfermedad infantil o juvenil de la crítica, que se convierte en grave cuando no se cura y hasta se agrava a edades avanzadas. De pronto, Skorecki me resulta muy viejo (yo lo soy también, pero él me parece mucho más mayor de lo que es), y eso que no es Melville santo de mi devoción, pero no veo modo de negar el valor de "Le Silence de la Mer", "Le Doulos", "Le Deuxième Souffle", "Le Samouraï" y "L'Armée des ombres", y menos con argumentos no sacados de las películas, sino de lo que se sabe (por fuera de ellas) de él, a través de sus declaraciones y de relatos de terceros, en parte puramente míticos.
Miguel Marías

bruno andrade disse...

São exatamente esses tratos que você caracterizou que fazem o charme e a sedução do que Skorecki escreve, para mim pelo menos (ou ao meu lado mais "juvenil", digamos). A impressão que tenho é que ele desistiu da crítica há algum tempo, e que o que ele fazia à época do Libé desde 98 era já algo mais próximo da confissão e da crônica, preparando-se para se despedir do cinema. A crítica propriamente dita o decepcionou bastante, isso é bem sabido, e ele carrega seus rancores, acho que principalmente contra um certo jargonismo parisiense que paradoxalmente ele mesmo adota para perveter (o que é sedutor, excessivamente sedutor, e por isso mesmo perigoso e atraente) nas frases lapidares e maximalistas. É um risco que se corre, mas no caso específico do Skorecki acho que é justamente a velhice expressada por esse tom insolente, juvenil mesmo, que o torna um caso à parte; se fosse só a juvenilidade da coisa dificilmente teria o mesmo apelo.

Mas o que realmente me interessa, mais do que gostar ou não - até porque gostar eu não apenas gosto do Skorecki como também, e muito, do Melville -, é a liberdade do Skorecki (que é por sinal o que mais me interessa nos críticos de que gosto), liberdade e ecletismo que não se confundem com desleixo (embora, no caso do Skorecki, pague-se um preço demasiadamente caro para isso). Não só por ter escrito isso (http://signododragao.blogspot.com/2006/01/un-flic-2.html) e isso (http://signododragao.blogspot.com/2006/02/le-samoura.html) e depois ter escrito esse último texto, mas também pelo que diz sobre a questão do naturalismo no texto sobre Un flic. Esse vai-e-vem, dar-se de ombros consigo mesmo, não se levar a sério se levando... Enfim, ao mesmo tempo que concordo plenamente que os aforismos maximalistas são uma enfermidade juvenil que ameaçam o rigor do exercício crítico, também vejo paradoxalmente uma liberdade invejável no sistema draconiano que Skorecki criou para si mesmo. Nisso ele não está muito distante, arriscaria dizer, do próprio Melville, e no fundo acho que Melville também se decepcionou em algum momento com o cinema para produzir seus últimos e melhores e mais tristes trabalhos; talvez seja a tristeza de Melville que queime os dedos de Skorecki, embora não tenha visto Le deuxième souffle (se eu não me engano, Lourcelles também detesta o filme - chama-o de "odioso filme de prestígio" numa das Présence - e Serge Bozon pretende refilmá-lo!).

bruno andrade disse...

P.S.: Le doulos é uma obra-prima incontestável.

Anônimo disse...

Ya, a mí me cansan mucho los "provocadores", que nunca llevan muy lejos, y encuentro muy inelegante "rubricar" la "faena" con un desplante, como algunos toreros. Si no te gusta el cine "de efectos" ni el efectista ni el subrayón, no hagas crítica cayendo en los vicios que criticas. Igualmente me fastidia cierta tendencia (agudísima en el periodo final de Skorecki en "Libé") de combinar ambigüedad y cripticismo con aparente hipersubjetividad CASI confesional (aunque quede vago como para estar seguro), alusiones personales insistentes (Daney, diálogos ficticios), interpretaciones contrarias al espíritu y estilo de las películas (me indigna lo que hace con "Moonfleet" y "Rio Bravo"), un cierto narcisismo amargado y escéptico que ni sé si es real o una pose estética.
Miguel Marías

bruno andrade disse...

Acho que esse narcisismo amargurado (perfeita a definição), ele é muitas vezes real (vejo-o assim no texto sobre Melville, sobretudo por haver ali um tom de decepção irremediável com algo que antes se amava) e outras trata-se sim de pose (o que Skorecki escreve sobre televisão, por exemplo). Mas há uma riqueza, ou pelo menos é assim que vejo, na forma como tanto uma coisa quanto a outra revelam duas coisas 1) a decepção de Skorecki, que é genuína e ora precisa se manifestar através de demonstrações dolorosamente verossímeis de amargura, ora se expressa sob um travestismo de si mesma 2) essa forma travestida e narcisista que Skorecki escolhe para demonstrar sua insatisfação com o cinema acaba por ser ela mesma uma demonstração última da cinefilia, a cinefilia que ele combate através justamente de um excesso de cinefilia (mesmo que dos filmes e do cinema ele espere o contrário e diga o contrário disso nos textos - 'eu virei as costas para o cinema', 'eu já estou longe do cinema, de fora' etc.). O risco de se cair nos efeitos que se critica está lá, o tempo todo, e mais do que à espreita, mas mesmo assim não se trata de paradoxo ou de conseqüência fútil e irrefletida: é um reflexo perfeito desse impasse no qual a cinefilia, pelo menos historicamente, chegou. O que se revela então é que se Skorecki fala mal de Scorsese, De Palma, Truffaut, Melville, Tarantino (mas, como Biette, não de Fassbinder) e todos os maneiristas, ele o faz assim não porque estes são os seus contrários, os seus opostos, mas sim por todos eles estarem muito próximos, próximos demais também desse sentimento de uma época de ouro que já se foi (não é apenas nessa direção e nesse sentido que Skorecki se distancia completamente de um Biette ou de um Pierre Léon; dentre os cineastas, vejo-o mais próximo de um Vecchiali, pelo menos no que se refere a esse sentimento). Skorecki não admite que se tente recuperar os ouros do velho cinema, e ao mesmo tempo o que ele faz nos seus textos é eludir às sensações que ainda carrega destes.

Talvez nem decepção nem narcisismo, mas sim cautela com a sua filiação, com a sua cinefilia, um pudor e uma reserva diante daquilo que se amou demais. Ele o faz, eu nem diria que 'de fora' do cinema, mas certamente 'de fora' da crítica - e pelo menos ele sabe que é assim, ao contrário de tantos escribas (sobretudo aqui no Brasil) que confudem suas fantasias e seus fantasmas com uma prática de análise e da crítica.

Arquivo do blog