quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Bem provável que toda a obra do Fassbinder tenha sido uma longa adaptação de A Acumulação do Capital.

(se não me engano, entre seus projetos não realizados havia uma cinebiografia da Rosa Luxemburgo com Jane Fonda no papel-título)

2 comentários:

Anônimo disse...

Una parte de su obra quizá. Pero otra gran parte DE CADA PELÍCULA trata de cuestiones que ni se mencionan ni se consideran.
Miguel Marías

bruno andrade disse...

Foi um receio que cheguei a ter com essa idéia antes de postá-la aqui, mas depois uma dúvida tomou o lugar desse receio: e se, mesmo não mencionando-as, os filmes considerassem essas questões de uma forma ou de outra? Porque me peguei pensando nos filmes mais economicamente precários do Fassbinder (quase todos os primeiros, alguns dos tardios), e neles me lembro sobretudo da presença pontual de objetos mercantis, na maioria das vezes excedentes cênicos, valorizados ainda mais pela encenação escassa e depauparada que acabava enfatizando ainda mais o aspecto meramente decorativo destes objetos e das emoções em jogo que podiam, como esses objetos, ser revertidas em meras mercadorias a qualquer momento. É como se Fassbinder, quando não filmasse a causa - (Maria Braun, Berlin Alexanderplatz) - filmasse os efeitos - o cais de Querelle, os sala-cozinha de Katzelmacher, a casarão em Roleta Chinesa - ou a causa reverberada no efeito - Die dritte Generation, Satansbraten, Fox and his Friends. Mas ainda não vi Effi Briest e outros essenciais (leia-se: o resto), portanto posso estar enganado, mas quando digo que ele faz esse trabalho de adaptação tento dizê-lo da melhor maneira possível: que ele não adapta nem tanto o conteúdo, mas sim o propos econômico das idéias de Rosa Luxemburgo, aterradores como os filmes de Fassbinder e sua visão sobre a Alemanha pós-segunda guerra.

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