segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Além do mais, é um pessoal que só consegue manter uma relação com o real através do saldo do cartão de crédito: pelos livros, discos e revistas que compram no espaço de um mês; pelos custos da ida ao barzinho, ao show da banda idolatrada e a todo o tipo de espetáculo do sábado à noite... Justamente a base firme de um aburguesamento intelectual cujos efeitos foram discernidos (e combatidos) desde cedo por Straub e Fassbinder, para não citar mais que dois.

3 comentários:

A.C. disse...

Oi,Bruno.
Aqui do interior de Minas não tenho tanto contato com amantes de cinema.Nem sei se eles existem.
Mas disso que vc. está a falar,nota-se muito no público chamado cult.Crítico ou não crítico.
Essa afetação pode ser notada numa necessidade extrema de ser o mais "diferente possível,o mais único possível,o que o torna mais igual.Melhor, mais banal(como roupas mui singularizadas que se tornam standards de um underground fake,se é que esse termo já não nasce em si mesmo fake).
Pode ser via intelectualismo estéril,via modismos cult,...ou seja,uma imensa pobreza espiritual dessa época.
No caso da crítica que se diz profissional, penso que temos não mais que um reflexo disso.Clubinhos de críticos ou terminologias pós-modernas ao máximo,o que seja...Uma maneira de criar uma redoma,uma "tribo",como outra qualquer,na pretensão de um status,de uma marca que sele a entrada no grupo da moda cult,pseudo-independente.
Eu até tenho um blog e confesso que nunca sei bem qual seria o público.Lido com educação.São jovens e procuro inquietá-los um pouco mais,sejam os cults,os intelectualistas(ou lóides?),mas também falo com os nada cults...www.alessandrocoimbrablog.blogspot.com Caso queira nos visitar e ajudar na interlocução educacional.
Talvez seja melhor,até mesmo para atrair esa moçada,firular o mínimo possível,mas ao dizer isso posso estar castrando a maneira de cada um se expressar.
Mas mostrar,ao menos, que cinema não é um bicho de sete cabeças,tão hermético...toco muito nesse ponto quando cutuco as divisões "filme intelectual" versus industrial.Ou filme artístico versus "de entretenimento".Muito embora não seja um blog tipicamente de cinema.
Permito momentos mais espontâneos também,uma subjetividade que seja mais assumida(caso de listas,por exemplo)como tal e nada de esconder tudo isso dentro de uma moldura acadêmica,de pseudo-objetividade.
Penso apenas que educação,cinema deva ser algo atrelado à vida,de alguma forma.Que a partir deles,repensemos nosso universo,qualquer que seja.E,para tanto,não precisemos forçar excepcionalidades(ou seja,ser sempre a exceção da exceção,ainda que o pessoal seja honesto),não cair nessas armadilhas e tal.
´Mas é andar na corda bamba,sobretudo quando se visa um público maior:os que já gostam de arte minimamente e os que não,mas que podem vir a gostar,ou que já gostam,mas que mal sabem disso(questão de alheamento somente).

antunes disse...

inácio araújo sempre foi sobrevalorizado como o carlão, que puxava o saco destes novos críticos e vice-versa.

o resultado tá aí, autismo e autismo e autismo.

valeska disse...

eu não acredito nisso, Antunes. simplesmente pq leio coisas maravilhosas.

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