sábado, 9 de janeiro de 2010

Aproveitando as férias para assistir televisão, como já disse, e é simplesmente impossível não se dar conta de que, no exato momento em que cantam loas à sua auto-proclamada "era dourada", a televisão atravessa justamente seu período de declínio irreversível. Uma olhada no TCM às dez da manhã - horário de Crime Story - basta para dissipar quaisquer dúvidas: se em algum momento a televisão foi capaz de veicular alguma coisa próxima da beleza anônima da série B (ver para tanto a influência incontestável da série produzida por Mann nos dois últimos bons - e posteriores - filmes de Scorsese, Goodfellas e Casino), isso se deu muito antes da hipertrofia maneirista ter tomado conta e se tornado a regra de uma televisão que cada vez mais busca o equivalente de um "estilo cinematográfico".

(a pior coisa que pode ser dita hoje em dia, a respeito de qualquer série mas também de qualquer filme: "Isso parece cinema.")

O curioso é que isso tudo acontece no exato momento em que uma escritura cinematográfica perde o seu valor e se definha, graças à interferência infeliz de J.J. Abrams, na sua televisualização final.

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