domingo, 10 de janeiro de 2010

Roberte, por sinal, onde Pierre Zucca prolonga com muita habilidade a atmosfera suntuosa e degenerada dos melhores filmes de Freda. Na suprema elegância e sofisticação pictórica da imagem, chega a alcançar resultados comparáveis aos de Beatrice Cenci.

Filme excepcional, à altura do que Ruiz e Arrieta faziam na mesma época.

7 comentários:

Lucian Chaussard disse...

Rohmer morreu. E agora?

bruno andrade disse...

Rever todos os filmes, começando por Astrea e Celadon, que era o projeto de vida do Pierre Zucca até a sua morte em 95 (Rohmer dedicou o filme a ele).

Ver também os filmes de Pierre Zucca.

bruno andrade disse...

Quando voltar a Florianópolis vou postar os textos do Bonitzer sobre A Mulher do Aviador e o do Biette, seminal, sobre O Raio Verde. E, óbvio, alguns textos do próprio.

bruno andrade disse...

E o texto do Mourlet sobre Minha Noite com Ela e Perceval também. Se eu esquecer, pode cobrar.

Anônimo disse...

Lo siento, "Roberte" no es lo que me gusta de verdad de Zucca. Prefiero "Vincent mît l'ane dans un pré", y la posterior "Rouge-Gorge". O Klossovski le sienta mal, o no tan bien como a Ruiz, o algo me resulta demasiado retorcido e intelectual
Miguel Marías

Felipe Medeiros de Morais disse...

É um país fodido para a cinefilia, o Brasil. Outro dia, vi um cara falando que temos de torcer pela morte dos cineastas de ponta para que a Globo tenha a boa vontade de exibir seus filmes, em caráter de "homenagem". Não deixa de estar certo, mas tenho de fazer uma ressalva: nem isso mais.

No caso de João Pessoa, duvido que 5% das locadoras apresente algum Rohmer. E ainda vem fdp falar que é contra a pirataria na net.

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Baixarias à parte:

"Surpresa, morreu Eric Rohmer: era daqueles que já acreditávamos serem imortais. Como se entre ele e o "Fausto" de Murnau, o seu mais adorado filme e o seu mais adorado cineasta, houvesse, por sua vez, algum pacto. Estava prestes a fazer 90 anos (Abril) e realizara em 2007 o último filme, "Os Amores de Astrée e Celadon", belíssimo e rohmerianíssimo fecho de obra, e filme onde o cineasta que sempre fez as palavras "fazerem coisas", as fez fazer coisas inauditas. Como, por exemplo, mudar o sexo das personagens. "Efeitos especiais"? É mentira que não os haja em Rohmer, o seu cinema está cheio deles: chamam-se "palavras" e são um dos principais eixos da sua obra. Numa entrevista por ocasião da estreia do seu penúltimo filme, "Agente Triplo", em 2004, e agora reposta no site do Libération, Rohmer resumiu: "voilá, eis a minha especialidade: encenar a palavra e o seu poder."

http://cinecartaz.publico.pt/noticias.asp?id=248581

bruno andrade disse...

Não sei se chamaria de "retorcido", talvez porque em meio a uma narrativa que não exclui ornamentos e outros obstáculos haja um olhar nítido, exato e sóbrio sobre a sordidez. Talvez seja isso o que finalmente distancia Zucca de Freda (e ambos de Brisseau).

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