quarta-feira, 18 de agosto de 2010

« No começo, pensei que era possível a um diretor, imbuído de uma sinceridade juvenil, transmitir isso diretamente. Minhas buscas eram antes de tudo de ordem plástica. O cenário, as oposições dos valores, a harmonia dos movimentos dos atores, achava que isso permitiria a criação de um pequeno universo suficientemente interessante. Logo percebi que dessa maneira só poderia produzir obras bastante frias. As grandes artes, como a filosofia, pintura, música, arquitetura ou poesia, permitem ao autor uma comunicação direta com o público. O autor de filmes dramáticos, como o romancista, deve utilizar a intermediação dos personagens. Só se concedendo a esses personagens uma personalidade autêntica é que se pode fazer com que esses filmes se tornem uma forma de expressão de nossa pobre humanidade; só assim o autor pode tentar, através da descrição sincera dessas almas, deixar transparecer um pouco de seu próprio sentimento. »

Jean Renoir, Como Animo Meus Personagens, Pour Vous, n° 242, 6.7.1933. Republicado em Escritos Sobre Cinema, Pierre Belfond, 1974

5 comentários:

Matheus Cartaxo disse...

http://www.youtube.com/watch?v=znHgrU53Qm4

De 1:46 em diante. Infelizmente a cena está cortada e não tem nenhum outra do filme no youtube. Mas o que fez essa mulher, Astrid Ofner, como Antígona, foi uma das atuações mais impactantes, marciais que já vi: com a capacidade de comungar com o público e transmitir toda uma revolta sua, ela deve ser bem um caso dessa expressão da humanidade de que fala Renoir.

Outro nome em que penso é evidentemente Stanley White, Rourke, em O Ano do Dragão.

marcelo disse...

Belíssima citação! Copiei no meu blog.
Fiquei curioso pra conhecer o resto do texto. Esse "Escritos sobre cinema" teve edição brasileira?

Hugo disse...

Bruno qual o melhor Antígona na sua opinião?

bruno andrade disse...

A que o Cottafavi fez para a TV italiana em 58.

bruno andrade disse...

Teve sim, Marcelo. Recomendo procurar em leilões na internet e comprar, ou procurar em bibliotecas e roubar. É facilmente um dos livros mais importantes sobre cinema.

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