quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Não estou dizendo de antemão que num poema do Eliot eles não vão achar o Wally dando um cascudo num judeu; que numa pintura do Rubens o Wally não vai estar repetindo infinitamente o objeto de desejo por razões freudianas. Pode ser. Mas escrever um trabalho exclusivamente sobre isso não serve de nada se não responder a única pergunta que me interessa na crítica: qual o valor que aquela obra tem para aquele crítico? Ficar procurando o Wally sem falar na musicalidade do Eliot, no movimento em Rubens, não responde a essa pergunta.

(...)

Sei que em faculdades a minha posição é chamada com desprezo de diletantismo elegante. Não tenho problema nem com diletantismo e, ao contrário dos professores universitários, nem com elegância. Mas é uma simplificação. Não acho que métodos mais rígidos sejam inúteis. Só que eu não excluiria deles um certo diletantismo. Apagar todo diletantismo da crítica significa apagar qualquer traço do prazer irresponsável que senti na Cena Primordial, quase nunca perguntando “Por quê? Por quê?”, sempre prestando muita atenção no “Como”. Talvez venha daí minha simpatia por métodos formalistas meio fora de moda. O meu crítico ideal leria de perto como um New Critic, e entenderia muito sobre estilo e foco narrativo e organização estrutural como um Estruturalista clássico, mas usaria todo esse maquinário meio feio, meio cinzento para responder uma única questão: de onde vem o prazer ou o desprazer que ele sente?

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