quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

"Como se toda a crítica não fosse acadêmica...", diz o idiota.

Vejamos: Montaigne, Da Vinci, Diderot, Baudelaire, as cartas do Van Gogh, Braque, Thoreau, Wilde, Rilke, Borges, Delluc, Canuto, Pound, Eliot, Faure (que também, caso você não saiba, escreveu sobre cinema, meu caro idiota), Mishima, Renoir (predecessor de Bazin, caríssimo idiota), Lourcelles, Skorecki, Demonsablon, O Tempo e o Modo (revista de cinema editada pelo João Bénard da Costa), M (revista de cinema editada pelo João Botelho), Guiguet, Nelson Rodrigues, Sganzerla...

E para isso eram todos, sem exceções, bons enciclopedistas (entenda-se: eruditos), ao contrário da maioria esmagadora dos acadêmicos apressados de memória entrevada que infestam o mundo numa quantidade que só não excede a dos insetos e outras raças perigosas e pestilentas.

O que fazia do pensamento uma aventura e tornava seus frutos muito mais férteis antigamente é que não havia como hoje esse mecanismo rígido de policiamento da conservação acadêmica na produção intelectual, que vem progressivamente engessando desde a segunda metade do século passado o bom pensamento e a boa criação (tentando engessar; felizmente as exceções são incontáveis e notáveis).

A diferença entre espíritos livres e vassalos: os primeiros passam pelas academias; os segundos permanecem nelas.

3 comentários:

david disse...

Não conheço Demonsablon. Escreveu para qual revista?

bruno andrade disse...

Cahiers (e em 62 um texto para a Présence du Cinéma edição Preminger). Escreveu de 54 a 60 textos lapidares sobre Mann, Hawks, Walsh, Aldrich, Lang, Hitchcock, Preminger, Vidor, Ray, Visconti, Mizoguchi, Ophüls, Cukor, Renoir, Siegel, Sirk, Dwan, Fuller, Minnelli, Mankiewicz, Sternberg, antecipando uma galera que mais tarde ficaria célebre escrevendo sobre esses cineastas (Rivette, Moullet, Rohmer, Lourcelles, Mourlet, Bré, Joly etc.). Ele foi na realidade o precursor teórico tanto do hitchcocko-hawksianismo quanto do MacMahonismo (Douchet foi provavelmente seu principal discípulo). Seu texto mais importante é La splendeur du vrai, possivelmente o que de melhor já se escreveu sobre Mizoguchi.

bruno andrade disse...

E mais até do que precursor, pai. Muito mais que Bazin (alô-alô, caro idiota).

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