domingo, 10 de abril de 2011

O filme dos Coen é o avesso simplesmente publicitário dos tempos primitivos (classicismo), um evento já velado que ao invés de iluminar o segredo, a essência misteriosa e transparente daquele classicismo, enterra-a cada vez mais.

24 comentários:

PSL disse...

Mas eu nem vejo o classicismo como uma ponte possível para chegarmos neste True Grit. Acho o filme uma reiteração de tudo que já está sendo falado nestes anos 2000. Os anos 2000, pelo menos nessa produção "off-mainstream" (o que é uma ironia, porque o modus mainstream contaminou todo o cinema americano nesses nossos tempos _o que não é um problema em si, mas sim historicamente pelo o quanto o cinema comercial infantilizou-se nos últimos anos, salvo algumas exceções) foi um retorno a uma certa visão de mundo cinema americano dos anos 70. Uma visão que parece mais "cética", mas, de fato, é cínica, porque bundona, sem ir "ao ponto" (como um James Gray, Michael Mann, Coppola, Cameron e o agora falecido Lumet).
Mas eu gosto do "True Grit" (o primeiro filme deles que realmente eu gosto plenamente, junto a "The Big Lebowski", que eu nunca revi). Não há uma lição de "moral elevada" (tipo "Onde os Fracos Não Têm Vez" e "Fargo") ou engenhosidade punheteira ("Blood Simple", "Barton Fink", o vomitíssimo "O Homem que Não Estava Lá"). Ou, se tem, está estrategicamente mais contida.

PSL disse...

E, lendo agora um post seu mais antigo, vc me fez lembrar do Herzog: outro cineasta que vai direamente ao ponto, sem fluflus, íntegro até mesmo em deixar claro o quanto (e o quê) está jogando com suas imagens _o duo "Little Dieter Needs to Fly" e "O Sobrevivente" que o diga. E é o que ele repete com o seu "Vício Frenético", intervenção paralela (e não "sobre") à obra-prima do Ferrara.

bruno andrade disse...

O texto completo do Toni D'Angela aqui.

Os Coen se assemelham bastante ao Christophe Honoré: incapazes de não pornografar, de não iconografar, estagnar, pastichizar e regredir as noções que forçam, a partir de certos gêneros, à forma dos seus filmes - conto de iniciação, primeiros desafios à maturidade, muito mais que "nouvelle vague" no caso do Honoré ou faroeste, film noir, screwball no caso dos Coen. Esses caras aí são técnicos - maus técnicos, eu diria, porque se limitam a reproduzir facilmente os luxos já deteriorados e enfadonhos de uma tradição cujo segredo não detêm. Godard e Truffaut sabiam que não estavam prolongando ou continuando o noir quando fizeram Acossado e Atire no Pianista, e talvez por isso o primeiro utilizou a técnica do documentário enquanto o segundo injetou uma forma delirante a uma trama típica de ficção absurdista (Monte Hellman, aluno do Beckett e do Corman, adorou o filme do Truffaut quando o assistiu no começo dos anos 60 - nada surpreendente).

O Toni enunciou o problema todo do cinema dos Coen numa única frase: eles não pertencem ao que representam. Diferentemente da disciplina dos cineastas que levam a sério e admiram genuinamente um cinema cujo segredo da tradição se perdeu (penso em Biette e Carax, Schroeter e Fassbinder, Sergio Sollima, Cohen e Mann) e que por não deterem esse segredo se afastam sabiamente da tradição. O que fazem, é trabalhar o que ainda é fértil desse cinema - a saber, tudo o que tem a ver com os problemas de construção da forma cinematográfica. Já os Coen são meros politécnicos da escrita roteirística acrobática que como realizadores gostam apenas de adornar interiores e vestir manequins. Ou, se preferir, o anti-Cimino.

bruno andrade disse...

Menção completamente apropriada ao filme do Herzog, por sinal. A construção é impecável, o movimento do filme perfeito, a figuração dos tumultos que invadem a vida do protagonista de uma precisão que chega a lembrar os noir dos anos 40, com todos aqueles coadjuvantes marcantes e presenças memoráveis (há quanto tempo não se via um filme hollywoodiano com tantas silhuetas inesquecíveis - do porteiro do prédio da Eva Mendes ao cliente que a espanca e acaba por colocar os mafiosos no encalço do Cage, passando pela crackeira que o Cage enraba no estacionamento e as participações sublimes de Brad Dourif e Fairuza Balk?), mas a poética que Herzog depreende de tudo isso está às antípodas de um Siodmak, um Lang, um Preminger, um Dassin (notar que o gênero se desenvolveu nos anos 40 principalmente pelas mãos de três alemães). Diria que mais que uma intervenção paralela ao filme do Ferrara (o que o filme também é), é uma intervenção sobre uma certa iconografia do noir mediada pela intervenção incontornável do Ferrara. Nesse sentido, o filme se assemelha muito mais ao trabalho que o Herzog efetuou em Aguirre com o romantismo alemão que ao filme do Ferrara.

Mas sempre teremos os Coen e o Tony Scott para os saudosistas que confundem fliperama com quartier latin nos anos 50.

bruno andrade disse...

Merda, agora vou ter que ver o filme de novo. E por sinal, Giorgio Ferroni é um nome que merece ser urgentemente redescoberto - mais um caso de um bom cineasta que relegaram ao ostracismo injusto.

Felipe disse...

Outro dia li um comentário escroto - obviamente de um brasileiro - sobre Rescue Dawn.

Eu me pergunto o que esses rapsodos das escolas federais imaginam de uma guerra, como conceberiam uma guerra. Ignorando fatos históricos?

No Brasil, me espanta isso. Eles acham que um enfoque necessariamente diz tudo da visão de um autor. Se vc. mostra um asiático matando um americano em qualquer combate, vc. é um merda supremacista.

claudio disse...

na minha opinião: de como true grit clama pelo lançamento do livro de imagens sobre sua filmagem (locações, catálogo, vestuário), como o que se esperaria de, numa outra chave, uma obra-de-arte verdadeira do desenho artesanal como airbender (a animação). moldes, brainstorm, enfim, um combo arte. disso eu tenho certeza, só não sei se posso chamar de filme um filme que esses caras não crêem como filme em última visão, nem como produto new-media assoberbado de personalidade (avatar mesmo), mas um híbrido dos dois meio de condicionamento "à possibilidade de um filme como um belo western poder existir hoje em dia". essa pulsão me deixa claro tudo o que eles têm feito inclusive, esse papo de exumação de gênero não cola, é esse negócio de "serviço possível" mesmo, como se fosse "a favor", mas é piada. eu chamo de clássico (e do bom) a família reitman inteira e o ben affleck, sem brincadeira, e acho eles resistência (por fazerem cinema essencial para a minha vida inclusive = cinema clássico de qquer forma, aliás affleck é o melhor cineasta respirando com menos de 35 anos) contra esse cinema de parte gráfica (nem dvd) de megastore. que vou dizer: não me proporcionou uma merda de sessão, apenas uma sessão que não me obriga guardar.

claudio disse...

ps - to por fora do cinema de festival, quem sabe eu esteja perdendo alguma coisa que não passa nos meus queridos multiplexes e na tnt. mas de americano duvido.

bruno andrade disse...

Vá me desculpar Claudio, mas quem faz Juno não é clássico nem aqui nem na Conchinchina. Filme esteticamente repugnante que reproduz por 90 insuportáveis minutos a mesma lógica do desenhinho indie oh-como-sou-destacada-da-realidade-medíocre-que-me-cerca-por-ser-capaz-de-injetar-fantasia-e-cinismo-no-meu-cotidiano-bobinho-de-garotinha-espertinha-marota-que-sou dos créditos. Parece filme francês a la Jeunet, o que em qualquer vocabulário são do cinema é o oposto exato de um classicismo atual - hoje, e já há um bom tempo, quase integralmente francês (Brisseau, Chabrol, Nolot, Green, Rohmer, Rivette, Resnais, Carax, Blain, Moullet, Mocky, Guiguet etc. etc. etc. As exceções americanas, asiáticas e do restante da Europa apenas confirmam a regra). E em relação ao filme seguinte do Jason "Quem Quer Ser um Milionário?" Reitman, simplesmente não assisto a filme com George Clooney, e acho que diz muito do trabalho do diretor a escalação dessa massa ectoplasmática deselegante (o track record do Clooney não mente: só fez merda). Nem é questão de multiplex - o cara é ruim mesmo, antipático pseudo-sofisticado, basta ver como atua quando sentado (parece que tem uma bigorna sobre cada ombro). O pior é que ele se acha uma espécie de novo Stewart Granger (alerta: regressismo pós-moderno), arauto da virilidade contemporânea - sim, no caso dos leitores da revista Trip. Resistência meu ovo - esse filho do Reitman é o perfeito exemplo do tipo de adulação estética que conquista a adesão imediata nos dias de hoje (i.e. desenhinho dos créditos de Juno), mais um babaquinha que busca o sucesso fácil. Ele ser um classicista não depende de mim ou de você - depende do que ele faz, e o que ele faz não é classicismo, mesmo que os filmes dele importem para a sua vida. Quanto ao Affleck, ainda não assisti nada dele - mea culpa -, mas duvido que ele seja capaz de engraxar os sapatos do James Gray.

De qualquer forma, com os Coen não se trata definitivamente de "exumação do gênero" - eles não são o Leone, e o trabalho deles com gênero é, na melhor das hipóteses de uma boa-vontade crítica, superficial e insípido -, mas de ver simplesmente que não há nenhum trabalho formal sobre as referências, como há por exemplo em Demy com o musical americano e o realismo poético francês, em Edwards com a comédia clássica americana, em Hellman com o faroeste e em Monteiro com o Murnau (é disso que o Toni fala no texto dele e no trecho citado). Há hipérbole, ênfase, caricatura grotesca, rostos filmados com grande angular, um trabalho de montagem que é o perfeito correlato de planos que se constróem sobre o histrionismo ou o estatismo do gesto, planos estes que se engessam em estátuas de sal pela ridícula pompa que nada tem a ver com a verdadeira tradição (≠ gênero) clássica da fluidez, a qual encontramos, além dos franceses citados, em maior ou menor medida, em Hou, em Bill Douglas. Deve ter mais coisa - o problema é que não passa, certamente não em festivais coordenados por curadores bitolados, e certamente não nos artplexes e multiplexes (que hoje em dia são a mesma coisa, com a diferença que um se ocupa do cocô artístico enquanto o outro trabalha com o cocô comercial). Vai levar tempo para o bom cinema clássico de hoje ser devidamente descoberto e poder circular - a coisa sempre funcionou desta forma.

bruno andrade disse...

Entre outras coisas, é bem possível que um cara como o Leandro Caraça, que inclusive gosta dos Coen, conheça melhor o verdadeiro classicismo da produção dos últimos anos que qualquer outra pessoa.

claduio disse...

concordo sobre a diferenciação entre um reitman e um green, que eu acho realmente clássico/ moderno genuíno. mas eu acho up in the air muito foda, retumbante mesmo, e não concordo sobre clooney entrar na digestão de cliché másculo de leitor fascio-socialistinha urbanóide da trip: quer dizer, até concordo, mas acho que é desses casos em que a culpa é da revista, da origem da revista e não dele. quer dizer, ele seria uma espécie de marcos palmeira/ wagner moura dos eua? eu acho que aí tem uma questão fundamental que é minha crença nos eua como única civilização real do continente (uma civilização construída e voltada para e pela arte, mesmo engolida também por esse ambiente covarde de cinismo pós-corporativo) VS a escrotice total do brasil e de seus parâmetros correlatos. quer dizer, salvo clooney dessa forma besta mesmo, porque simplesmente gosto dele, e mesmo sendo herói de babaca americano, acho que não tenho crítica alguma sobre babaca americano, e tenho conseguido manter isso faz tempo. juno nunca vi porque na época fazia parte da minha reserva especial de filmes indies que não vi para poder atacar com mais belicismo quem viu e tocar o terror em festas de aniversário quando o assunto chegasse em cinema. mas eu vi por acaso up in the air e achei de uma força foderosa -- e sei que não é o tipo de coisa que vc iria gostar realmente, mas acho que naquele comentário seria desonesto eu não citar. bom, o gray infelizmente é consenso. acho que ele vai ser o próximo cassavetes - cineasta que passa em festa alternativa tipo instalação de vídeo. paciência. ele é o melhor mesmo. mas embora hereafter seja obra-prima, acho que o mais recente do affleck (ainda semi-brilhante) passaria no concurso para ter seus rolos guardados ao lado dos recentes eastwood nos depósitos. gosto muito do filme.

claudio disse...

graças a um pouquinho de vinho me transformei em CLADUIO haha

bruno andrade disse...

O problema com o Clooney não é nem ele ser o herói do americano babaca médio - eu gosto de babacas americanos. O problema é imaginá-lo atuando em Moonfleet, Harry Black and the Tiger, Bhowani Junction, Fúria no Alasca, Scaramouche, As Minas do Rei Salomão e The Prisoner of Zenda, ou em algum filme do Hawks, do Quine, do Camerini, do Harald Reinl - versátil e ao mesmo tempo interpretando o mesmo personagem de sempre. O único ator americano que vejo fazendo isso brilhantemente é o Michael Keaton (gênio); já o Clooney não seria capaz nem mesmo de segurar uma vela ao lado de coadjuvantes genéricos brilhantes do tipo Dan Duryea ou Gig Young.

Quanto ao Up in the Air, aceito perfeitamente a presença dele, o Sérgio por exemplo tem idiossincrasias bem piores, eu mesmo tenho as minhas (Freddy Got Fingered). E como sei que gostas, para chegarmos num acordo, um grande filme clássico dos anos 2000 foi A Casa do Lago, a respeito do qual eu recentemente fiz uns comentários num programa de TV. Uma união quase perfeita do Max Ophüls com a melhor literatura latino-americana.

claudio disse...

bom, eu etendo pouco de história do cinema perto de vcs, mas uma coisa é a seguinte, que eu acabei não argumentando: o filme clássico, mais do que o pastiche de realismo-festival, ou o não-pastiche tb, tem o ritmo da vida, a pulsão da vida, na minha opnião, é o filme que mostra algo maior sobre o cinema, uma zona fantasma de perfeita correlação entre vida e o que tá acontecendo lá dentro, sei lá é o john ford, e acho que tem a ver com essa fluidez magna de conduzir (a fluidez de aber o mundo construído lá). eu não acho que o up in the air seja isso, mas se aproxima em muitos aspectos, porque acho que o reitman sabe bem sobre o porque existir aquele clooney no filme e suas viagens pelos eua -- grande filme de chegar em cidades, realmente, e de posicionar o personagem nesses lugares, deixar ele se posicionar. o do affleck é e com muita propriedade, por se tratar de um cineasta absolutamente humilde em relação a um plano do que fazer e do que filmar. ele, tenho certeza, viu os filmes certos.

bruno andrade disse...

Todo mundo de cujo gosto ainda levo a sério a ponto de respeitar falou bem dos Affleck - todo mundo mesmo. No momento vou ter que ficar devendo, mas estou bem curioso.

Sobre a concepção de cinema clássico, é exatamente disso que se trata.

claudio disse...

amo tanto A Casa do Lago quanto Madison County. legal saber que vc falou dele. aliás, concordo com esse aspecto da união max+latinos nobres. e veja como é particular de brasil isso: valentin = hype na augusta. casa do lago (filme "americano, antes de tudo americano, feito pra casalzinho alienado de shopping")= quem?

bruno andrade disse...

Falei pro Sérgio que uma das coisas que ele devia ter orgulho com a Paisà foi de ter dado capa ao filme do Agresti. É extraordinário - fiquei espantado quando o assisti, em 2009 (advinha se eu mesmo não o esnobei na época do lançamento pela razão que você descreveu?).

Jesús Cortés disse...

Opino lo mismo (o casi) que Claudio sobre Affleck, sorprendentemente un gran director, con uno de los mejores debuts del cine americano en años, "Gone baby gone", que supera a "Mystic river" y un excelente nuevo "The town", que reduce a la nada el prestigio de la hinchada serie "The wire".
No es nada descabellada la comparación con James Gray, del que no anda lejos.
El cine americano tiene estas cosas y por eso vale la pena seguirlo de cerca por muchas decepciones que se puedan tener. Donde menos te lo esperas surge algo bueno.

bruno andrade disse...

Esse seria um outro capítulo a ser abordado nessa discussão: os desesperados que decidiram migrar da produção cinematográfica para a produção televisiva, alegando que o bom cinema comercial de hoje é feito pela televisão americana. Gente que em 1978 provavelmente torceria o nariz para o que o Louis Skorecki já estava escrevendo (numa época em que a televisão, e não apenas a americana, mantinha uma produção regularmente superior à atual), e que ao contrário do Skorecki ainda não foram capazes de se dar conta de que essa migração generalizada se deu no exato momento em que a televisão deixa de ser série B para ser série A. E depois dá-lhe prosa acadêmica a respeito de uma série que basicamente reproduz cacoetes sociológicos dos anos 60 com o ar de que está deflagrando algo importantíssimo e nunca antes visto... Evidente que nenhum filhote de Deleuze ou fanáticos da última moda disseminada nas redes sociais sujariam suas mãos com algo tão ordinário como Baretta ou com algo realmente extraordinário como o teleteatro que a TV italiana e francesa produzia e exibia nos anos 60/70 (tradicional demais para os seus gostos). De qualquer forma, melhor para o cinema, e sobretudo para o pensamento sobre o cinema, que esses elementos se afastem de uma vez por todas dos filmes.

A verdade do cinema americano é justamente essa que você assinalou, e sempre foi: após as decepções, encontra-se algo onde menos se espera, e de vez em quando até onde se espera.

David disse...

Onde eu posso baixar filmes do Green?

bruno andrade disse...

Tem no making off. Tens conta lá?

david disse...

acho que nem tem a ver com a discussão, mas vi que falaram do clooney, até não desgosto dele como ator, mas eu vi na tv um dia desses ele falando "não existe esquerda e direita, mas sim o certo e o errado", um discurso fascista , escroto. Somando -se a isso a já conhecida piada com a doença do charlton heston, me parece que o clooney é realmente um ser humano desprezível. obs:eu não sou o david acima, pus o e-mail na url pra diferenciar.

bruno andrade disse...

Batman de mamilos VS El Cid. Sem mais.

Anônimo disse...

La verdad, no entiendo cómo todavía nadie tiene fe en los Coen, desde el principio sospechosos plagiarios (quizá porque, en general, copiaban torpemente). A su "True Grit" - mil kilómetros por debajo de uno de los Hathaway menos ilustres - sólo le veo un mérito, por demás dudoso: ser el western visualmente más feo que recuerdo. Y puede que el más aburrido también.
Miguel Marías

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