quinta-feira, 20 de março de 2014

Por sinal, fui eu que passei para o Gustavo (vulgo Cinebaixar no Karagarga), em jpegs, o primeiro número (9, Cottafavi) da Présence a que ele teve acesso, assim como sou o responsável direto pelos primeiros textos macmahonianos que chegaram às mãos do Luiz Soares Jr. (via scans da edição de 1987 do Sur un art ignoré ou La mise en scène comme langage e de passagens do livro do Mourlet sobre DeMille), e que posteriormente foram traduzidos no blog que ostenta o nome do livro do Lourcelles.

Portanto, se existe alguém capaz de me fazer sentir menos "detentor de relíquias" (e a se julgar exclusivamente pelo trabalho que temos feito na Foco, o número de textos que eu mesmo já disponibilizei por aqui - 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 etc. etc. - e o experimento que, com aprovação minha, o Soares conduziu por um tempo no Dicionários, não é como relíquia nem como artigo de antiquário que encaramos a pertinência do trabalho realizado - até hoje, diga-se de passagem - por Mourlet Lourcelles Rissient e cia.), essa pessoa certamente seria o Gustavo, ou o Serge Bozon, ou a Axelle Ropert - mas certamente não um vassalozinho qualquer seu, nem muito menos um robô paspalhão programado unicamente para repetir desinformações no modo randômico como você. Minha reação à disponibilização dos conteúdos das Présence foi, como sempre é o caso, de entusiasmo (mesmo aqui no blog fiz um post que à surdina se referia ao acontecimento).

Mas enfim, por que me surpreenderia com um embusteiro, refém de uma vaidade intelectual inversamente proporcional à capacidade de assimilação, que confunde correção dos fatos (por exemplo: de todos os equívocos e simples asneiras que já proferiu por aí) com ostentação de relíquias?

Porque, ao contrário de você, não é exatamente pela mesquinhez que sou conhecido.

Para fechar com uma demonstração de generosidade e contrariar o que você tentou deixar subentendido no seu comentário, deixo aqui registrado que prefiro acreditar que há uma primeira vez para tudo, mesmo para casos que há muito se mostram irrecuperáveis (descrever como "fascinação ingênua" o encantamento suscitado pela nudez extrema da "arte de se abster de toda solicitação exterior ao seu objeto" que os macmahonianos detectaram em cineastas tão "ingênuos" como Mizoguchi, Preminger, Lang e Tourneur e terminar um texto sobre Charlie's Angels – Full Throttle com um "Vale apreciar e, não custa dizer, se deliciar" não constitui, certamente, a única vez em que você tomou simples sedução vulgar, supérflua, caipira e cafona - "As Panteras Detonando prefere seguir o outro caminho: negar o tempo e viver num presente infinito, Terra do Nunca sem nenhum Peter Pan e com três Sininhos" - por tentativa de sofisticação iconoclasta ainda mais cafona - "o big beat tendo sido o movimento de pop mainstream mais esquizo dos últimos anos, a escolha reflete em parte a propopsta do filme" -, nem muito menos a única vez em que ficou tão escancaradamente nítida a incoerência atrelada aos reflexos flutuantes e imediatistas de um trendista que finalmente deve mais ao jornalismo cultural que ao exercício da crítica cinematográfica). Fica então o desejo, sincero, de que você aproveite o fato de que as revistas estão online e só abra a boca para falar merda (essa sim possivelmente "macmarronzinha") quando terminar de lê-las direitinho.

4 comentários:

bruno andrade disse...

Os que quiserem torrent livre pras Présence só precisam contactar o Yuri Silva no Facebook.

bruno andrade disse...

A "incoerência" de que falei, caso não tenha ficado clara: a fascinação macmahoniana é digna de desconfiança, de ser posta em crise; já o deslumbramento (que, como todo deslumbramento, é apenas superficial e, insisto, caipira) diante da "propopsta" do filme do McG é imediata e irrestritamente aceito e até mesmo recomendado.

Nada mais conveniente para com os tabus/tendências culturais das épocas de cada texto; nada mais fraudulento, desonesto e inconsistente também.

Numa boa: se enxerga, cara.

bruno andrade disse...

Aí Ruy, que belo legado: adulado e protegido pelos oompa-loompas da ADORO CINEMA!

Que beleza para alguém que começou seguindo os passos do Daney, hein?

Como esse pessoal só ataca em manada - porque, né, pensar e agir como indivíduo é demais para o que eles conseguem carregar de neurônios -, o esquema é enlaçar um por um e montar, no melhor esquema Buffalo Gals.

Amato - acho tão curioso que alguém aparentemente incapaz de uma idéia ou pensamento próprio; alguém que a vida toda proferiu apenas trivialidades, platitudes e amenidades recolhidas de terceiros; alguém que nunca demonstrou a mínima coragem ou aptidão para externar uma idéia que se assemelhasse mesmo que superficialmente a uma colocação remotamente original... Enfim, confesso que acho curioso que essa pessoa se manifeste e se exponha de maneira tão contundente - diria até mesmo quase comovente... Mas, só a título de curiosidade: por que não manifestou indignação nesta, nesta e nesta ocasião? E assim, talvez seja demais para alguém que no passado já demonstrou um alcance meio limitado, talvez devesse dizer mesmo inócuo, na assimilação mais elementar e básica das coisas, mas caso você não tenha lido ou entendido uma única palavra do que escrevi, incluindo a presença pontual dos links de textos que compartilhei aqui no blog mesmo (sem falar em coisas como indicar para o Luiz Carlos Oliveira Jr. os lugares em que ele poderia comprar as edições da Présence que, para fins específicos de pesquisa, ele precisava para a tese dele; sem falar no material que traduzimos para a Foco; sem falar no material que dispus para o Soares Jr. traduzir no Dicionários etc.), eu estava de fato respondendo à última tentativa do Ruy de inversão/deformação dos fatos. Sem mais com você.

Guilherme Gaspar - qual seria, a princípio, e mesmo a posteriori; qual seria a incompatibilidade entre generosidade e reclamação, a partir do momento em que o Ruy afirma que trato/guardo/ostento as Présence como relíquias, e isso simplesmente não se comprova? (caso permaneça alguma dúvida: se tiver um tempo e conta no Facebook, basta visitar as páginas da Présence e do Rissient que eu e o Matheus Cartaxo mantemos por lá, e verificar a quantidade de textos que já compartilhamos). Seria mais ou menos como dizer que suas idéias naufragam porque uma cidade chamada Gaspar quase foi completamente inundada. Fica a recomendação: da próxima vez, recorra a um dicionário.

Marcus - honestamente, de onde tiras o que vomitas? (não precisa responder)

Tiago "Superoito" (rs): siga o protocolo-inventário hipster/indigente mental, seja gentil, faça um favor ao que resta de inteligência neste planeta e volte para o buraco negro intelectual/filme do Spike Jonze de que você saiu.

O resto me dá preguiça (incluindo você, Hélio).

Após as tentativas da Camarilha e da Contra-ataque acho que você deveria pegar esse time de feras (mais para bestas né) e montar uma nova revista, Ruy.

E para não dizerem mais tarde que não sou generoso, já deixo aqui uma sugestão de nome:

Fora da Trave.

guilherme disse...

Bruno, achei graça no tweet do Ruy e achei graça no fato de você continuar acompanhando o que ele escreve por lá. Se você se sentiu ofendido pelo tweet dele e quer responder por aqui, fique à vontade. Não falei que você deveria se calar. Se passei essa impressão, usarei mais o dicionário, como você sugeriu. Fiz uma piadinha sem graça e achei que ela seria devidamente ignorada (como 90% do que escrevo por lá merece ser tratado).

Quanto ao Facebook, não tenho conta. Se tivesse conferiria os textos disponibilizados por ti e pelo Matheus (embora, não fosse capaz de apreender/aprender muita coisa, já que meu francês é nulo). Poderíamos até trocar algumas ideias por lá. Mas não tenho interesse em ter uma conta No Facebook, já que é bloqueado aqui no trabalho e não costumo usar muito a internet em casa (a não ser para baixar filmes)

Se te ofendi, minhas desculpas. Não foi a intenção mesmo. Gosto do seu trabalho (e do Ruy).

Abraço,
Guilherme Gaspar.

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