sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Cinemateca Portuguesa - Outubro

JOHN CARPENTER – MEMÓRIAS DE UM HOMEM BEM VISÍVEL

John Carpenter, nascido em 1948 em Carthage, no estado de Nova Iorque, é o autor de uma das obras mais ricas de entre o cinema americano das últimas três ou quatro décadas. Uma obra fortemente associada a um ou dois géneros específicos (o terror e a ficção científica), que Carpenter cultivou como mais ninguém, no que será porventura o mais evidente reflexo (essa “consciência do género”) da sua filiação clássica. Mas, ao terror e à ficção científica, géneros para que Carpenter contribuiu com alguns dos mais notáveis títulos modernos, há que acrescentar um terceiro: o “western”. Se Carpenter manipula habilmente os códigos do terror e da “fc”, um dos seus traços distintivos é a frequente utilização, quase subterrânea, de uma estrutura de “western”, e o trabalho sobre figuras (como Snake Plissken, o protagonista de ESCAPE FROM NEW YORK e ESCAPE FROM L.A.) de que se diria serem variações dos modelos de heróis clássicos da “fronteira” do Oeste.
Se Carpenter é, à evidência, um dos poucos grandes cineastas do medo que existiram depois de Hitchcock, convém não esquecer que toda essa riqueza “subterrânea” com que trabalha modelos e mitologias da América e do cinema americano faz dele, igualmente, um grande cineasta da América. “Todo o cinema que faço é profundamente político”, disse ele uma vez – e como negá-lo quando nos lembramos de THEY LIVE (1988), um dos mais extraordinários filmes políticos da história do cinema americano?
Vamos ver toda esta obra, em sequência, ao longo das próximas semanas, acompanhando as curvas e contracurvas da complicadíssima trajectória de um dos últimos verdadeiros “mavericks” de Hollywood. Em Outubro, para começar, recapitularemos o período inicial de Carpenter, quando ainda tudo era um mar de rosas, e os sucessos comerciais e críticos se iam sucedendo uns aos outros. O filme mais tardio deste mês é ESCAPE FROM NEW YORK. THE THING, o seguinte, o primeiro filme que fez para um grande estúdio americano, que veremos em Novembro foi o momento em que o “conto de fadas” que até então fora a carreira de Carpenter começou a ruir. “Em França, sou um autor; na Alemanha, sou um cineasta; em Inglaterra, um realizador de género; e nos Estados Unidos sou um vadio” – disse uma vez, exprimindo a amargura (de resto, análoga à de alguns outros cineastas americanos do passado e do presente) da falta de reconhecimento no seu próprio país. Durante as próximas semanas, teremos ocasião de reflectir e discutir sobre todas estas questões.
Será publicado um catálogo.

HALLOWEEN O Regresso do Mal
de John Carpenter
com Jamie Lee Curtis, Donald Pleasence, Nancy Loomis
Estados Unidos, 1978 - 91 min / legendado electronicamente em português
Abrimos a retrospectiva John Carpenter com um dos mais lendários títulos da sua filmografia. HALLOWEEN não foi apenas um gigantesco sucesso crítico e comercial, foi também uma obra que directamente influenciou quase todo o “cinema de terror” que se fez depois – e explícita ou implicitamente citada em incontáveis “horror movies” das últimas décadas. Carpenter, que confessadamente colhera em RIO BRAVO (de Hawks) a inspiração fundamental para o seu anterior filme, ASSAULT ON PRECINCT 13, partiu aqui da memória do PSYCHO de Hitchcock. E de facto, HALLOWEEN é um dos raros grandes “filmes do medo” que se fizeram depois de Hitch. Perguntaram a Carpenter se era um filme de terror “teórico”; e Carpenter respondeu: “sim, completamente”.
Sex. [24] 21:30 Sala Dr. Félix Ribeiro
Ter. [28] 22:00 Sala Luís de Pina

DARK STAR
de John Carpenter
com Brian Narelle, Dre Pahlich, Cal Kuniholm
Estados Unidos, 1974 - 83 min / legendado electronicamente em português
A primeira longa-metragem de John Carpenter, começada de modo totalmente amadorístico (como um projecto para a escola de cinema que o realizador frequentou) e depois terminada um pouco mais “a sério”, de modo a permitir a sua estreia comercial. Uma muito divertida paródia ao filme de ficção científica, e em particular às tendências “metafísicas” que o género, por via dos (então) recentes 2001 de Kubrick e THX 1138 de George Lucas, tinha passado a incorporar. Mas, até pela maneira como o filme se relaciona com esteréotipos de género, o primeiro sinal da dimensão “analítica” e reflexiva que sempre acompanhou o cinema de John Carpenter.
Seg. [27] 19:00 Sala Dr. Félix Ribeiro
Qua. [29] 19:30 Sala Luís de Pina

ASSAULT ON PRECINCT 13 Assalto à 13ª Esquadra
de John Carpenter
com Austin Stoker, Darwin Joston, Laurie Zimmer, Martin West
Estados Unidos, 1976 - 90 min / legendado electronicamente em português Uma das variações sobre o tema de RIO BRAVO, “filme-fetiche” de John Carpenter. Um carro de polícia, transportando vários presos para uma esquadra que vai ser desafectada, e está, por isso, praticamente incomunicável. É essa a 13ª Esquadra, que, em seguida, é atacada por um bando de marginais que procura vingar-se da morte de um dos seus. O sucesso crítico e comercial significou a “revelação” de John Carpenter.
Ter. [28] 19:00 Sala Dr. Félix Ribeiro
Sex. [31] 22:00 Sala Luís de Pina

ELVIS Elvis
de John Carpenter
com Kurt Russell, Shelley Winters, Bing Russell
Estados Unidos, 1979 - 119 min / legendado electronicamente em português
Feito originalmente para a televisão, e depois estreado em sala, ELVIS é um “divertimento” sobre um dos ídolos de juventude de John Carpenter. Um “biopic” do “Rei do Rock”, pleno de verve e de “panache”, que, se foge ao registo habitual do cinema de Carpenter, permitiu o encontro com uma figura essencial no seu cinema posterior: Kurt Russell, o futuro Snake Plissken.
Qua. [29] 21:30 Sala Dr. Félix Ribeiro
Sex. [31] 19:30 Sala Luís de Pina

THE FOG O Nevoeiro
de John Carpenter com Jamie Lee Curtis, Adrienne Barbeau, Janet Leigh, Charles Cyphers
Estados Unidos, 1980 - 89 min / legendado electronicamente em português
Adaptação de uma história de Stephen King, sobre uma pequena cidade costeira assombrada por um nevoeiro maligno onde se escondem, nem mais nem menos, os fantasmas dos tripulantes de um navio pirata naufragado séculos antes por acção directa dos habitantes locais. Aos elementos clássicos de Carpenter (os lugares isolados, as lógicas de grupo, as ameaças sem rosto) juntava-se aqui uma espécie de lirismo, com força suficiente para “descentrar” o filme, que no futuro seria, mais do que uma vez, um dos principais “segredos” de John Carpenter.
Ter. [28] 19:30 Sala Luís de Pina
Qui. [30] 19:00 Sala Dr. Félix Ribeiro

ESCAPE FROM NEW YORK Nova Iorque 1997
de John Carpenter
com Kurt Russell, Lee Van Cleef, Ernest Borgnine
Estados Unidos, 1981 - 95 min / legendado em português
Na visão apocalíptica do argumento, Manhattan é uma gigantesca prisão onde cai o avião presidencial, sendo o presidente usado como refém pelos prisioneiros. Um homem que nada tem a perder é enviado para tentar o impossível. Uma das mais ambiciosas produções de John Carpenter, que nos anos 90 teria uma (fabulosa) sequela em ESCAPE FROM L.A.
Sex. [31] 19:00 Sala Dr. Félix Ribeiro 2ª exibição em Novembro

4 comentários:

alf disse...

AIAIA!

Francis Vogner dos Reis disse...

há de se invejar uma cinemateca que faça um trabalho nesse nível e nessa importância.

José Oliveira disse...

RENCONTRE AVEC JEAN-CLAUDE BRISSEAU:

http://www.dissidenz.com/visionneur-video-58

Anônimo disse...

o debut do boston junto com o 4 do foreigner sao os melhores discos de todos os tempos
sem esquecer styx e reo speedwagon

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