quarta-feira, 9 de março de 2011

Gérard Blain, notre ami, notre camarade…

par Michel Marmin

La quantité et souvent, aussi, la qualité des articles que sa disparition, le 17 décembre dernier, a suscités dans toute la presse française, a démontré à quel point Gérard Blain dominait le cinéma français par sa personnalité et par son talent. Dans l'avant-dernier numéro d'Eléments (mai 2000), Ludovic Maubreuil avait souligné l'extrême importance d'Ainsi soit-il, son dernier film, "nu comme une épée". L'expression peut s'appliquer à l'ensemble d'une oeuvre qui, depuis Les amis (1970), est caractérisée par une exigence éthique soutenue par une véritable obsession de rigueur esthétique.

Moralement intransigeant, nostalgique des valeurs disparues, Gérard Blain était en état de révolte permanente contre son temps. Il ne l'envoyait d'ailleurs pas dire, et le moins que l'on puisse dire est que tant ses films que les coups de gueule tonitruants dont il avait le secret étaient à cet égard démonstratifs ! Appartenait-il à cette famille des "anarchistes de droite" dont François Richard a si subtilement cerné les contours ? Sans doute. Toujours est-il que la presse, du Monde à Télérama, n'a pas manqué de rappeler, de façon du reste plutôt objective, que Gérard Blain avait la particularité d'entretenir les meilleures relations à la fois avec Jean-Pierre Chevènement (qui assista à ses obsèques) et avec la Nouvelle Droite, insistant sur ma collaboration aux scénarios de Pierre et Djemilla (1987) et d'Ainsi soit-il - ces deux films (surtout le premier) ayant entraîné de ce fait des polémiques mémorables.

Disons-le carrément: Gérard Blain a épousé avec sa fougue indomptable la plupart des campagnes de la Nouvelle Droite, n'hésitant pas, dès 1979, à signer un article dans Eléments (n°31, août 1979): cet article était significativement intitulé "Histoire d'une rébellion". Il y présentait un film qu'il devait peu après réaliser, Le Rebelle (1980) justement. Je n'en étais pas le co-scénariste, mais le lecteur sera sûrement intéressé d'apprendre, au cas où il l'ignorerait, que l'un des principaux acteurs en était le chancelier du GRECE, Maurice Rollet, par ailleurs auteur de la belle chanson qui accompagne le générique du film. Parmi les projets que nous avions caressés, il en est un dont l'abandon m'a particulièrement chagriné: c'était un Don Quichotte moderne. Ce sujet qui lui allait comme un gant nous avait été suggéré par un autre rebelle dont l'amitié lui était chère: Jean Cau.

Eléments nº 100, março 2001

5 comentários:

André Dias disse...

Seus epígonos portugueses (José Oliveira, Mário Fernandes) escrevem “o Homem” assim, com maiúscula, no entanto, fazem ataques ad hominen sem nomear... Algo que, lamento dizer, sinto que aprenderam com você, tal como você terá aprendido com essa suposta Nobre herança que tresanda vinda da parte infecta de Céline, etc. Chegou o tempo de cerrar fileiras. Gostar ou não de Candeias não conta para nada, conta sim o “como” se gosta... Um abraço e até sempre, André Dias

bruno andrade disse...

O primeiro ponto que deve ser esclarecido: não sei quem é Mário Fernandes, nunca ouvi falar, e o José é um companheiro (permito-me chamá-lo desta forma) cuja distância que afasta a mim dele não chega a impedir uma grande simpatia e uma relação que, se não estreita, é pelo menos de estreito interesse. Daí para "epígonos portugueses", vá me desculpar, mas este é um parecer seu, reação exageradamente vaidosa baseada numa conclusão apressada, para não dizer - pois você mesmo o disse - "sentimental"; um parecer que, portanto, revela-se bastante leviano e que abusa, e muito, de alguns bons modos e de uma etiqueta mínima da honestidade intelectual (o julgamento é seu, e o aceito de bom grado; mas em quais evidências você se apóia, além de compartilharmos links e termos alguns gostos semelhantes entre vários outros que em nada se assemelham?). Quer cerrar fileiras, ótimo, a escolha é sua, o direito é seu e acho ótimo que tenhas a liberdade para tanto (como, aliás, acho ótimo que outros tenham liberdade para outras coisas); mas por favor, da próxima vez, reflita um pouco e tente perceber se realmente sabes do que estás a falar, ou se estás recorrendo à extrapolação de presunções mesquinhas por conta de uma mágoa ou uma diferença pessoal.

Uma das coisas com as quais mais antipatizo, e que busco evitar como o cão à peste, são justamente os epígonos, seguidores, groupies, simpatizantes de todo tipo e de toda forma. Já vi muita gente sendo recrutada para legitimar intelectualmente a outros, e é um cenário cuja repulsa retorna a cada momento que dele me relembro. Se sinto que estou a agradar alguém, pelo blog ou por outras vias, busco colar um texto, uma notação, um suspiro, dizer algo desagradável, o que quer que seja necessário para tentar afastar qualquer possibilidade de deslumbramento consensual. Com isso, como já fiz várias vezes - sendo que de algumas delas você mesmo tomou parte, assim como amigos e colegas muito mais próximos que o José tomaram em outras -, prefiro alimentar a discórdia, e com ela o dissenso, sinônimo de liberdade de pensamento e de espírito, de pura saúde e sensatez intelectual para este que vos escreve. Herança? Não, obrigado; abdico dela sem pestanejar, para não ter que mais tarde me arrepender por ter deixado a um outro a parte corrompida do que dela sobrou. No caso de insistires em ver em mim um herdeiro, descreveria-me antes de tudo como um simpatizante. Prefiro ter eu mesmo a minha própria maneira de desagradar, reconhecendo que nisso não sou nenhum artista como o foi Baudelaire, cujo principal segredo era o de justamente expor pelas generalidades e deficiências as supostas "especificidades" do pensamento de determinada figura, sem necessidade alguma de menção e por isso mesmo tornando ainda mais flagrante o embuste. Condenarias o autor de Sobre a Modernidade por acatar ao pedido de Constantin Guys antes de fazer o retrato de G.? Estarias mais satisfeito se no texto do Mário houvesse uma menção criptada a A.? Em quê tudo isso altera o preço do chá na China?

bruno andrade disse...

Falas da parte "infecta" de Céline. Que grande criador - meta aí Fuller, Voltaire, Haydn, o Cimino que mencionasse no teu blog, o Walsh que filmou Homens como se fossem Deuses, meta também o grandessíssimo Gérard Blain em cujo post você me enviou o seu comentário afrontoso -, que grande criador assim o é sem a consciência dessa parte "infecta", cuja capacidade de trazê-la ao confronto e reconhecê-la ativamente naquilo que ela tem de limite e de alimento é justamente o que o eleva de mero demagogo a verdadeiro artista, sujeito ao mesmo tempo livre e atormentado, homem do mundo e de si mesmo? Você trouxe à discussão a questão dos epígonos; parece-me que compartilhas da conduta pós-sessenta-e-oitística da "boa consciência" que faz das obras que admira o espelho de seus cacoetes e do que lhe é conveniente. A própria escolha da palavra "infecta" revela da tua parte essa estreiteza de visão que há algum tempo temo e que hoje em dia combato por puro reflexo, além da má vontade e da presumível má consciência que costumam acompanhá-la. Por que não a parte "impura"? Por que não a "cólera"? Por que não a parte na qual você (e, talvez, eu também) simplesmente não se reconhece? Realmente conta o "como" se gosta ("It is not enough to like a film. One must like it for the right reasons", disse alguém que batalhou por Hou Hsiao-hsien anos antes deste se tornar vocábulo obrigatório na léxica moderna dos jovens cinéfilos ávidos por reconhecimento, e que por coisas desse tipo já foi pichado de todas as injúrias pelos profissionais das instituições), mas pelo visto entendemos esse "como" diferentemente - há inclusive sinais disso em discussões passadas. Mas no presente caso, porém, passas a constrangedora impressão de que dizes isso mais para se afastar de mim, ligado que estou aos meus epígonos, que por um credo intrínseco na máxima: um lado, correto e que mesmo na ofensiva é apropriadamente polido e cortês (estranho como o lado polido e cortês sempre conquista a adesão da condescendência dos cínicos civilizados, os quais nós, selvagens infectos, acabamos por repelir), o seu lado; o outro, reacionário e indecente, o meu. Ora, pensamos agora por binômios? Pode parecer que não, mas Marx é uma das minhas leituras de cabeceira, e o mínimo que posso dizer é que surpreende como o sistema de pensamento de uma figura tão ilustrissimamente esclarecida como a sua é pouquíssimo, para não dizer nem um pouco, dialética; chega mesmo a ser reveladora na absoluta falta de generosidade que revela. É fácil falar em dialética quando o propósito é significar uma mentalidade progressista acordada às circunstâncias favoráveis (geralmente as mais castradoras e imunes às ameaças de contrariedade), mas me parece que as pessoas que muito falam nela têm enormes dificuldades em praticá-la efetivamente - i.e., quando não é de seus interesses, como presumo que não deva mais ser de interesse seu manter um contato comigo após o que ocorreu na exibição do filme do José num palco tão notório como o da Cinemateca Portuguesa, episódio que tanto lhe ofendeu e que agora procuras atribuir da maneira mais oportuna possível... a mim (não basta citar nomes para esclarecer as causas, não senhor, assim como não necessariamente obtemos os resultados mais profundos quando os citamos).

bruno andrade disse...

De minha parte, devo dizer que já conheci, sim, Homens - alguns dos maiores em corpos de fêmea -, assim como conheci homens - a grande maioria destes, pequeniníssimos, encarnados na contraparte masculina. Ad hominen, diria que este,
este, este e, o qual espero que ainda recordes,
este exemplo aqui atestam que boa parte do que dizes não é lá muito confiável.

bruno andrade disse...

Por sinal: http://theballoonatic.blogspot.com/2011/01/celine-out.html

http://theballoonatic.blogspot.com/2011/01/blog-post_25.html

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